quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tribuna do Cretino contra os cretinos das Artes Cênicas no Pará













A história da crítica de Artes Cênicas no Brasil, ainda focada no eixo Rio-São Paulo, vem sendo cada vez mais escrita por outros ângulos. Quem nos colocou à margem? Quem nos deu o rótulo de periferia? Tudo é uma questão de perspectiva. Conheça a Tribuna do Cretino, revista produzida produzida pelo Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará (UFPA), com críticas de espetáculos  paraenses.

Em julho de 2013, no em Belém, surgiu a Tribuna do Cretino: Revista de Crítica em Teatro e Dança, como uma iniciativa do crítico Edson Fernando. Em 2014, o espaço se tornou um projeto de extensão vinculado à UFPA. Desde então, são publicados semestralmente 300 exemplares impressos da revista, reunindo críticas selecionadas, via chamada pública, acerca das produções cênicas no estado. A tiragem é distribuída entre os autores e autoras das críticas, os/as artistas criticados/as, redações de jornais e bibliotecas em Belém, além de ser enviada para ós/as responsáveis por outras iniciativas de críticas no Brasil e de ser divulgada no blog e nas redes sociais.

Redações tradicionais defasadas

A força motriz dessa iniciativa, segundo o editorial do exemplar de estreia, aconteceu devido à insatisfação com os jornais locais.  “Atualmente, os poucos cadernos jornalísticos destinados à produção artística limitam-se à mera divulgação de informações e serviços, e não raro, reproduzem cópias dos releases enviados por e-mail”. Edson da faz sua atividade crítica um ofício artístico-acadêmico. “Considero a crítica uma contra-tradução da obra criticada e, neste sentido, livre para articular o seu discurso com elementos híbridos: poética, estética, teorias, ideias, imagens, sonoridades, epistemologia”.

Autocrítica, avante!

A Tribuna do Cretino é uma ironia. Seria, na verdade, uma "Tribuna Anti-cretino" ou "Tribuna Contra-cretino", que busca, por meio da reflexão crítica, fugir da arrogância que muitos críticos e críticas exalam ao falar de espetáculos com julgamentos "pessoalistas", hierárquicos e detentores do saber.

Pesquisa mapeia críticos/as de Artes Cênicas no Brasil

Se você escreve/escreveu críticas de teatro, dança, circo, performance e/ou outras linguagens cênicas, você pode ajudar. Preparei um questionário para obter dados quantitativos e qualitativos sobre os críticos e críticas de Artes Cênicas no Brasil. As informações mapeadas vão ser trabalhadas em âmbito acadêmico (PPG-Artes Cênicas/UnB) na construção de uma memória para a história da crítica de Artes Cênicas contemporânea. Se conhece algum crítico ou crítica da área, você pode ajudar a promover essa pesquisa também. 



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quinta-feira, 1 de junho de 2017

O luto alegre de Matheus Naschtergaele

Mateus Nachtergaele. Foto: Divulgação

Brasília, 1º de junho de 2017

Matheus e Maria Cecília,

O passado a gente não muda. Tem hora que ele grita forte em nós, de um jeito que a gente parece não conseguir conter. Parece. Porque esse grito do agora a gente tem sim o poder de cons/certar - por mais que a nossa história seja escrita para além de nós, de um jeito que, muitas vezes, nossas mãos não dão conta de puxar as rédeas. Nós também temos uma força maior do que a gente imagina na condução das nossas próprias tramas. 

Não se trata de apagar os problemas que ainda reverberam em nós, mas de aprender a conviver com eles. Dar uma trégua a nós mesmos não para abandonar a dor ou se dar por vencido, mas para ressignificá-la. Ser humilde com nós mesmos. Nos dar uma chance diante da revolta. E foi com essa reinvenção do desejo de cura que me deparei ao assistir você, Matheus e sua mãe – Maria Cecília, em Processo de conscerto do desejo, na Caixa Cultural de Fortaleza.


Eu poderia aqui tentar discorrer sobre a música ao vivo de Luã Belik (violão), Henrique Rohrmann (violino), sobre seu trabalho de ator, Matheus, sua direção ou sobre os seus textos, Maria Cecília, reinventados na voz, no corpo e na alma de seu próprio filho. Mas o amarelo sobrepondo sobre a mancha vermelha daquele tiro fez mais barulho – que bom. Matheus, não sei o que é perder uma mãe, muito menos quando essa perda é de um jeito que só sua mãe poderia explicar. Ela foi dona de si. E, como dona de si, fez aquilo que quis consigo mesma. Não cabe a ninguém o julgamento do seu ato. 

Maria Cecília, eu não sei mensurar a dor que deve ser deixar um filho bebê, prestes a se batizar, para viver nesse mundo cão sem os cuidados de uma mãe. De tudo que eu vi, o que nos cabe é apenas o aprendizado. Aquilo que vocês dois, juntos em deslocamento no tempo e espaço, nos ensinaram naquela noite de música e poesia no teatrinho de bolso da Caixa Cultural cearense. Você é sua mãe, Matheus. Você é seu filho, Maria Cecília. Nós somos sempre a herança daquilo que foram antes de nós. E essa herança vive, Maria Cecília. Tanto que eu tenho a certeza plena de que eu consegui te ver.

Eu lembrei das noções de biodrama, teatro documentário, mas principalmente das práticas terapêuticas Psicodrama (Jacob Levy Moreno) e Constelação Familiar (Bert Hellinger). Ambas sem propósitos artísticos, mas que se utilizam do teatro como suporte para transformação de indivíduos tristes. O luto de vocês virou poesia, ganhou potência e mais, nos faz sair do teatro leves, com mais ânsia de vida.

Uma vez apresentei uma cena do Projeto Achados & Perdidos, onde eu, a partir da memória de um dos membros do coletivo, induzia o público a uma leitura suicida. No debate após a sessão, uma mulher me disse: por que vocês, artistas, exageram no tempo da dor? Eu queria ver o teatro exagerar no desabrochar de uma flor. E foi isso que vi. Vocês desabrocharam juntos - alegres. A dor virou celebração. Não que o sofrimento não nos seja importante, mas precisamos dele extrair aquilo que ele quer de nós, como diz a filósofa Viviane Mosé. Vem, sofrimento, e me diz o que tu queres de mim para que eu seja uma pessoa melhor! A carência do desejo virou gozo e satisfação. Se estávamos emperrados, agora estamos em cons/certo.


Obrigado aos dois.

Danilo.

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sobre Príncipe Norueguês, por Walmick Campos

Foto: Márcio Melo. Semana do Teatro no Maranhão.


São Paulo, 1º de fevereiro de 2017.

Danilo,

Queria dialogar sobre a abertura de processo do seu próximo trabalho, intitulado Príncipe Norueguês, um documentário cênico sobre o desamor, que você apresentou na 45ª edição do Pequenos Trabalhos Não São trabalhos Pequenos, na Casa da Esquina, em Fortaleza. Acho seu processo necessário, verdadeiro, intenso sem precisar se confundir com visceralidade. É um ótimo casamento entre a forma escolhida com o conteúdo exposto. A lente de contato colorida é um efeito fabuloso no seu olho desde a hora em que é apresentada até o fim. As frases racistas elencadas, bem como as autorias delas, são de extrema importância.

Evandro, pai de Danilo, durante a juventude.

Lembrar que o preconceito se faz intrínseco desde desconhecidos, amigos e familiares aos artistas – estes que em um perfil geral são engajados às causas democráticas – é cortante. E pra acontecer, tem que cortar mesmo. Faz-se necessário abrir a fenda. Seu registro familiar é conciso e preciso: fotografia com o irmão, e o que dela reverberou em parte da sua vida; fotografia do seu pai (trazendo a essência da negritude black power) e o paralelo com a possibilidade (poética inclusive) de como você e ele vivenciaram o preconceito por percepções distintas, devido ao sentido da audição (o pai do ator é surdo).           

Danilo e o irmão, David. Festas Juninas de 1991,
no Colégio Cosmos, em Fortaleza
O tom documental traz o Danilo jornalista, sem ficar grifando isso. Algo que gostaria de ressaltar como positivo foi o fato de a performance não ter um discurso de vitimização – que em geral, pra mim enfraquece o argumento. Sabendo que o termo “vitimização” pode gerar ruído, tentarei esclarecer aqui o que digo: penso que, quando os segmentos/movimentos de minoria discursiva têm espaço para falar, já é claro que se tratam de vítimas do sistema opressor em que vivemos. Reforçar ou colar em si o tom vitimista – quase que romântico – empobrece o discurso, o diálogo, e as transformações que podem surgir. Considero que é uma linha muito tênue, que poderia te derrubar a qualquer hora; mas você passou por ela com precisão.

Reverberações

Durante a performance, janelas abriram na minha cabeça, e talvez por isso fiquei com vontade de conversar sobre. Até porque essas janelas me levaram para outros campos, discursos e temáticas. O que é bom. Você usa várias frases, dentre elas uma que você ouviu de um homem que amou: VOCÊ É TÃO BONITO QUE SE FOSSE BRANCO SERIA UM PRÍNCIPE NORUEGUÊS. Uma janela foi me questionar se alguma daquelas frases racistas eram minhas. E o mais louco: mesmo achando que não, em mim vinha o sentimento de culpa – creio que por ser um branco de olhos claros. Era como se a autoria das frases tivessem minha responsabilidade, a partir da ideia de ancestralidade que vinha na minha mente ao assistir o experimento. Como se tivéssemos olhando para os nossos antecedentes negros e brancos, você e eu respectivamente.

Teste de lentes de contato.
Outra foi perceber que, em certa medida, acompanhei essa transição que se passou por você. Não conheço você desde sempre, mas sinto que desde que te conheci até hoje, vi diferentes Danilos. Claro que isso é sobre o seu processo de amadurecimento e percepção de si – automaticamente sou transferido para os Walmicks que também passaram por mim. É muito louco isso, mas é assustadoramente interessante.

Daí me veio em mente o fato de você ter falado sobre seu mestrado ser sobre você. Claro que você me falou isso muito por cima e corrido, não dando pra saber exatamente como se desenrola essa sua reflexão. Fiquei curioso para entender. Até porque me parece algo muito desafiador se tomar como objeto e ao mesmo tempo ser verdadeiro consigo e com a pesquisa. Não digo isso por duvidar da capacidade ou do interesse pela “verdade”, mas é que não me parece algo claro ou tranquilo de fazer sozinho. Talvez essa minha dúvida seja viagem de quem (eu) adora terapia.

Teste de cabelo.
Falar de si inevitavelmente traz coisas bacanas e não bacanas. E como se dá o choque entre elas? E como expor os dois lados coerentemente? Que segmentos de si são selecionados? Por exemplo: devido ao teor da sua performance, imaginei que em algo mais amplo você venha a falar sobre seu processo de reconhecimento enquanto brasileiro negro e gay. E uma nova janela se abriu na minha cabeça se perguntando sobre quão interessante poderia ser confrontar seus possíveis discursos em diferentes etapas. O que o Danilo de 2000 fala (ou nega) de diferente do Danilo de 2017, seja em relação à negritude ou homossexualidade? O quanto os anseios de vida mudam junto com a transformação do discurso?  Pode ser que isso seja muito raso e estúpido, mas foi parte do que reverberou em mim.

Por fim, gostaria de dizer que estou disponível para dar continuidade no diálogo. Tanto para tentar aprofundar, como para tentar limpar algum ruído que tenha dificultado a compreensão da minha fala. Parabéns pelo trabalho e pesquisa. Ela tem grande relevância para o tempo que estamos vivendo – que não só é de grande opressão, como de muita gente que pega carona nos discursos como se fosse uma moda, e não uma necessidade real nossa.

Walmick Campos.
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terça-feira, 4 de abril de 2017

Instrumento de Ver responde crítica em carta

Foto: João Saenger

Brasília, 15 de dezembro de 2016

Oi Danilo,

Primeiro queremos agradecer a sua presença no festival!

Sobre os espetáculos, vamos falar um pouquinho de cada um. O cabaré é um formato circense bem tradicional de espetáculo de variedades, bem recortado mesmo, geralmente costurado por um apresentador. Foi uma aposta nossa tentar dar unidade ao espetáculo, já que os números que participaram não dialogavam nada entre si. Fora os do Instrumento de Ver, todos os outros fizeram parte de um chamado aos artistas de Brasília e nos aventuramos a encontrar uma costura menos óbvia (a do apresentador), mas sem a pretensão de trabalhar com muita complexidade uma teatralidade, em tão pouco tempo de idealização. A facilidade desse formato é, justamente, ser um espaço para o número, essa construção em pequeno formato (5 a 20 minutos), tão comum no circo. 


Com certeza algumas costuras ficaram menos resolvidas na heterogeneidade das estéticas e propostas temáticas/coreográficas de cada número. Não foi estratégia não, foi experimento mesmo, retornos como o seu são ótimos para buscarmos possibilidades para os próximos! Até porque foi uma experiência muito rica trabalhar com artistas tão diversos, alguns iniciando, outros mais antigos, alguns que conhecíamos o trabalho e outros que só tivemos contato prévio a partir do vídeo  -  e com certeza vamos querer repetir!

Ficamos satisfeitos em saber que Porumtriz te tocou na verdade que apresenta. Com certeza potencializa o trabalho a figura da ex-atleta, agora artista. Queremos trocar mais contigo sobre as escolhas de ritmo, mídias, linha dramatúrgica… bora tomar um café 😉

O Meu Chapéu é o Céu, a concretude do tempo… que delícia ouvir isso. Esse espetáculo é nosso xodó e domingo, especialmente, foi um deleite apresentar. Com certeza ele é o que mais fala desse nosso tempo de grupo, achei muita sensibilidade sua ter percebido isso sem conhecer muito da nossa história. Foi nele que as nossas relações se firmaram, que o grupo amadureceu, que lavamos as roupas sujas e nos reconstruímos. Fez muito sentido pra mim o que você escreveu, não sei se no mesmo lugar que você queria tocar. 

Brigamos muito por esse Tempo. Brigamos como quem joga e não quer perder a partida. Se perder perdeu, mas jogamos outra pra ganhar, pra ganhar mesmo. Nosso tempo de grupo se confunde com nosso tempo como artistas. E super entendo quando você fala que não podemos deixar esse Tempo ir embora. Estamos só no primeiro tempo, e ele é fugidio.

Ficamos muito felizes com o retorno, é bem raro que uma crítica ao circo, espero que possamos contar com o seu olhar. Queremos continuar essa conversa!

Abraços coletivos!
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quinta-feira, 23 de março de 2017

Pesquisa mapeia críticos e críticas de Artes Cênicas no Brasil


Oi, crítico/a de Artes Cênicas!

Se você escreve/escreveu críticas de teatro, dança, circo, performance e/ou outras linguagens cênicas, você pode ajudar. Preparei um questionário para obter dados quantitativos e qualitativos sobre os críticos e críticas de Artes Cênicas no Brasil. As informações mapeadas vão ser trabalhadas em âmbito acadêmico na construção de uma memória para a história da crítica de Artes Cênicas contemporânea. O questionário está sendo enviado para críticos e críticas nas 27 unidades federativas. Se você recebeu, é porque é importante pra pesquisa! Se conhece algum outro crítico ou crítica da área, você pode ajudar a promover essa pesquisa também. É super simples. Os dados pessoais não vão ser divulgados. As informações mais relevantes serão usadas em uma publicação.

Conto com sua contribuição!


Danilo Castro - Ator, graduado em Artes Cênicas no Instituto Federal do Ceará (IFCE) e jornalista, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, Danilo é aluno (2016/2018) do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB), bolsista da CAPES, sob orientação do professor Fernando Villar. 


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O PIOR ESTÁ PARA ACONTECER NO CCBNB


Performance Pajeú - Foto: Andrei Bessa
O que você vai ler agora é o que você vai ler agora. Nós seguimos aniquilados e degradantes. Talvez estejamos cansados de lutar pela utopia da transformação. Fizemos pairar no ambiente uma força melancólica e latente que está nos destruindo. A dinâmica do poder está tirando a nossa rigorosa capacidade de pensar. Estamos em crise, afogando-nos em soluções que afundam a nós mesmos. E queremos abrir diálogos sobre o fim do mundo, quem sabe, cavando nosso próprio fim para nossa insurreição. Por isso, nós, da Inquieta Cia., vamos expor as Derivações do PIOR no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), em Fortaleza, de 1 a 4 de fevereiro.

Derivações do PIOR é uma instalação performativa, que expande o espaço sensível da nossa obra cênica PRA FRENTE O PIOR, estreada em 2016. Estamos contaminados por diferentes linguagens artísticas e trazemos proposições em performances que tratam dos discursos atuais sobre o fim do mundo, sobre o declínio do corpo e dos modos de existir. O projeto é apoiado pelo Programa de Produção e Publicação em Artes 2016 de Fortaleza – Instituto Bela Vista/Secultfor.


Programação

Instalação "Derivações do PIOR"
De 1 a 4 de fevereiro de 2017

Vernissage "Um brinde ao fim" - 1º de fevereiro, quarta, 18h, Galeria CCBNB
Performance "Pajeú" - 2 de fevereiro, quinta, 12h, ruas do Centro de Fortaleza
Leitura performativa "Crise e Insurreição" - 3 de fevereiro, sexta, 14h, Galeria CCBNB

Fotos: http://bit.ly/DerivacoesdoPIOR

Serviço

Derivações do PIOR
1 a 4 de fevereiro, de 10h às 19h.
Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB)
Informações: (85) 999183535
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Pequeno Ogum se apresenta em comunidades quilombolas do Ceará

Foto Luiz Alves
O espetáculo teatral infantil “O Pequeno Ogum” se apresenta gratuitamente em comunidades quilombolas do Ceará entre os dias 27 de janeiro e 2 de fevereiro de 2017. O projeto, denominado de “Visita aos Territórios Quilombolas”, foi contemplado pelo X Edital de Incentivo às Artes do Ceará 2015, da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), e faz parte de pesquisas feitas pelo ator e diretor Edivaldo Batista sobre a cultura negra. A apresentação conta também com a cantora Juliana Roza.

Após o espetáculo, o ator Edivaldo Batista conduzirá um debate com os quilombolas sobre os temas abordados na apresentação, como a cultura africana e a afirmação da mitologia. Ao todo, cinco comunidades vão receber a peça teatral em municípios do Interior do Estado, como Itapipoca e Tururu, e da Região Metropolitana de Fortaleza, como Pacajus e Horizonte. Todas os territórios foram reconhecidos como quilombolas, em 2012, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

As comunidades visitadas serão:

27 de janeiro - Comunidade de Nazaré (47 famílias) às 17h, em frente ao Salão Comunitário Nossa Senhora de Nazaré - Itapipoca

28 de janeiro - Comunidade de Água Preta (254 famílias) às 16h, no espaço a ser confirmado - Tururu

29 de janeiro - Comunidade de Conceição dos Caetanos (370 famílias) às 18h, no espaço a ser confirmado - Tururu

3 de fevereiro - Comunidade de Base (142 famílias) - às 17h, no Pátio da Escola Neli Gama Nogueira - Pacajus

4 de fevereiro - Comunidade de Alto Alegre (400 famílias) - Às 16h, no Centro Cultural Negro Cazuza - Horizonte

O espetáculo conta a história do menino Ogum que, desde cedo, descobre em si a vontade de se tornar um guerreiro. Para isso, é preciso aventurar-se pela mata escura ou pelas águas geladas, criando coragem por meio do medo. Para compor a narrativa do pequeno Ogum, Edivaldo utilizou referências dos reisados do interior do Ceará, com cores e vestimentas da cultura popular, além de lendas e mitos do Orixá Ogum, presente nos cultos do Candomblé.

O objetivo é dialogar com temáticas sobre cultura negra, reforçando a visibilidade e a luta dessas comunidades. Além disso, os debates, que acontecem sempre após as apresentações, servem como um processo pedagógico que Edivaldo procura desenvolver sobre a desmistificação da cultura africana, ao mesmo tempo em que defende uma educação que recupere as memórias históricas e fortaleça as identidades dos habitantes das comunidades.

Com foco na literatura africana, “O Pequeno Ogum” faz parte de uma série de pesquisas feitas pelo idealizador deste processo, que investiga procedimentos para compor cenas que abordem a ancestralidade e a negritude na linguagem narrativa e o reisado cearense na estética das apresentações. Neste contexto, Edivaldo possui outros trabalhos, como “Iroko” ( 2012), “Histórias de Heróis Negros” ( 2016), “Yemonja e a Princesa Negra” (2016) e demais projetos que envolvem, inclusive, oficinas e cursos.

Após as apresentações em comunidades quilombolas, “O Pequeno Ogum” faz temporada em Fortaleza, no Sesc Iracema, nos domingos de fevereiro (dias 5, 12 e 19), às 16h. A entrada é gratuita.

Serviço:

“Visita aos Territórios Quilombolas”
Espetáculo “O Pequeno Ogum”
Data: 27 de janeiro a 3 de fevereiro de 2017
Local: Comunidades Quilombolas do Ceará em Itapipoca, Tururu, Horizonte e Pacajus (verificar tabela acima com locais e horários)
Gratuito

Temporada em Fortaleza
Data: 5, 12 e 19 de fevereiro de 2017
Horário: às 16h
Local: Sesc Iracema (Rua Bóris, 90 – Praia de Iracema)
Gratuito
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