domingo, 20 de maio de 2007

O Escatológico


Certa vez me disseram que eu era escatológico. Adoro palavras desconhecidas e amei a tal qualificação bela que me fez encher o peito e me sentir o máximo, mas eu não fazia mínima idéia do que significava isso. Então, tive a boa vontade de consultar o dicionário e descobri que estava sendo comparado a excrementos. Ótimo, nunca alguém havia me qualificado dessa forma. Murchei diante das letrinhas que revelam os misteriosos significados das palavras da ludibriante língua portuguesa.
Qual o problema em escrever de maneira pura de vez em quando? Por mais que excrementos não sejam tão puros por estarem repletos de uréia, elementos orgânicos em estado de putrefação, catarro, suor, vírus e anticorpos falecidos formando uma cremosa pasta denominada puis, entre tantos outros que abrilhantam o tão belo sistema excretor humano, eles são puros! Sim, pois são fundamentais no processo de sobrevivência dos seres vivos. Já pensou se não pudéssemos defecar? Seria algo entristecedor saber que viveríamos eternamente com a sensação de prisão de ventre, sem poder nunca evacuar os graciosos bolos alimentares. Sem falar na agonia da terrível sensação que sentimos quando estamos quase com a bexiga estourando, essa sensação seria eterna se não fossem os excretores e os excrementos.
Por essas e outras, afirmo convicto que não há nada de enojador em citar o importante vômito, que nos faz evacuar, rapidamente, alimentos ou bebidas que ingerimos e não fizeram bem ao nosso organismo, a insubstituível remela que é toda a sujeira encontrada na litosfera do nosso globo ocular, e o peido (agora realmente estou sendo escatológico, estou com nojo de mim mesmo) que está sempre a procura da liberdade que é o que todos os homens estimam e demoram décadas para consegui-la, e ele(o peido) consegue, em apenas alguns segundos, independência e um poder grandioso de enfrentar as pessoas que não acreditam no seu potencial.
Ao menos, com tudo isso, agora sei o que significa essa difícil palavra: ES-CA-TO-LÓ-GI-CO, e aprendi a primeiro ter certeza do significado de certos termos antes de deixar o peito robusto para gabar-me dos elogios que, às vezes ou muitas vezes, são indevidos.


Danilo Castro.
18 de Janeiro de 2007

2 comentários:

moça disse...

hey, adorei esse texto!
;)

moça disse...

es-ca-to-ló-gi-co!
heheheheh