domingo, 18 de janeiro de 2009

Lá, depois do horizonte, é lá que eu vou ficar.








Diante de um horário não muito incitante para se cair em demasia, me vi com uma vontade de eternizar em letras algumas idéias incompletas que me preenchem ou transbordam de mim. Poder-me-ia ter escolhido outro momento ou mesmo nem vir a escrever sobre o tema que acometo a discorrer, mas se a vontade brotou, por que cessá-la? Castrá-la assim impunemente? Não. Seria um assassinato covarde e isso é o que menos desejo ser em toda minha vida. Ultimamente eu fiquei me perguntando até que ponto se pode usufruir das idéias de alguém, me perguntando onde é o limite. O estudioso alemão muito cogitado entre teatrólogos me leva a um fanatismo quase religioso, como se eu lhe devesse orações, súplicas e agradecimentos, porque ele insulta multidões com breves equivalências. Posso ser bem mais claro: quando se quer dar uma bela lição, algo que marque para toda a vida, muito melhor do que dizer a lição é buscar a equivalência dela, como narrar a batida história da Cigarra e da Formiga ou da Tartaruga e da Lebre. Brecht é o mestre justamente por isso, por ele se apropriar tão bem de recursos que não são a verdade mastigada prontinha pra ser digerida, mas por encontrar a equivalência da verdade onde, passo a passo, nós encontramos os significados. É tão simples, até mesmo nosso atual presidente se utiliza disso, mas é talento de poucos o poder da fabulação. Parece bobo, mas isso em pleno nascer do dia de mais um domingo apático é o que me é mais latente. E se nós, que resolvemos pensar, aliás, pensar e transformar pensamento em arte, somos o que comemos, algum tempo depois de ter assistido a uma montagem de um texto brechiniano “Ascensão e Queda de Mahagonny”, hoje sou o que comi anteontem com a peça de Bertold Brecht adaptada pela oitava turma que se forma em Artes Cênicas pelo CEFET-Ce. Doze atores poetizaram a palavra do homem que ofuscou tudo que até então eu já conhecia, e me pergunto: até que ponto é estranhamento, distanciamento, esfacelamento? É como se tudo fosse possível e justificável dentro de novas leis que não são nem um pouco sequer castradoras, pelo contrário, são idéias incompletas para que nós, artistas que mergulhamos na sua didática, as completemos. E como uma criança que pergunta despretensiosa, me indago cumprindo meu papel de esmiuçador e, conseqüentemente, descobridor de mares: já que com Brecht tudo é possível, o que existe além de Brecht?

Mahagonny - Ascensão e Queda encontra-se em cartaz no Teatro Dragão do Mar durante todas as sextas de Janeiro e Fevereiro às 20:00h. Vale a pena conferir.

Direção artística de Alexandra Marinho

Direção musical de Consiglia Latorre

Figurino de Ruth Aragão

Maquiagem de Ribeiro Junior

Iluminação de Walter Façanha

Cenografia de Elaine Nascimento/Xico Aragão
Músicos - Aldrey Rocha, Ageu Hebster e Otton Natashe

Produção de Camila Barbosa

ELENCO:

Camila Barbosa, Carol Li, Celeste Paulino, Debora Moreira, Elaine Nascimento, Henrique Bezerra, Larissa Carneiro, Naiane Andrade, Natália Régia, Raíssa Starepravo, Raquel Mendes e Thiago BC.



ENTRADA FRANCA




Danilo Castro
18.01.2009

5 comentários:

Poly Jomasi disse...

ai até me deixou mais anciosa pra confeir o espetáculo! ^^ sexto vc vai de novo com a gente viu! srsrs bju!

Wânyffer Monteiro disse...

Que texto o da peça!!! Primoroso!!

Thiago Ya'agob disse...

Boa noite nesse dia, Danilo.
Peço desculpas por minha ausência.
Estava/Estou semelhante ao pássaro que Machado de Assis menciona em seu conto, Cantigas de Esponsais: "Como um pássaro que acaba de ser preso, e forceja por transpor as paredes da gaiola, abaixo, acima, impaciente, aterrado..."
Mas, mesmo preso em mim, não me esqueço de sua escrita, e, cá estou eu, sendo refrescado em águas potáveis.

Danilo, quisera eu que a vida fosse como uma peça teatral, onde pudêssemos ensaiar nosso papel antes de interpretá-lo. Mas não é assim. Já nascemos interpretando: Sem ensaios.

Um grande abraço, rapaz.
É sempre bom vir até aqui.

*Existe muito... muito.

Natalia Régia disse...

Acho que o que há após o Brecht é uma espécie de simbiose artística,Acho que não há limite para a junção de uma encenação épica com uma realista,a de um ator apresentar ou interpretar.
São milhares as possibilidades de mostrar as metáforas "brechtianas",nos apropriar de suas palavras,ensinamentos,significados..o Depois de Brecht é a gente que faz.
bju Dan!!!

googler disse...

vintage dior
christian dior bag
dior bag
dior handbag
dior handbags