quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sadomasoquismo

"s. m. Perversão sexual que consiste na conjugação do sadismo e masoquismo, ou seja, no prazer tanto em sofrer como em fazer sofrer."
Silveira Bueno






Quadros de Frida Kahlo

Estou precisando injetar Clarice em minhas veias novamente. Há uma boa temporada saí do meu coma alcoólico e não mais voltei à Neverland. Há em mim uma coisa que grita porque há tempos nada me dói, e quando nada me dói, nada escrevo, entro em crise. Viro pedra polida, inquebrável, impenetrável, seco. Donde estão as lágrimas que tanto amo? Preciso encharcar-me delas como ontem, soluçar sem fim, remoer-me em dor. A Felicidade é minha maior inimiga. Sim. A Felicidade usurpa de mim o direito que sempre tive de cuspir minha arte amadora e desconexa. Minha perversidade clama. Preciso o quanto antes achar motivos para torturar a vítima indócil que sou. É fome de criação. Sou amador. Amo a dor.
Danilo Castro
26.06.2009

5 comentários:

Canto do Lufa disse...

Muito louco os desenhos!

Espero que vc consiga acha a Clarice que há dentro de vc!

O Espelho de Eva disse...

Ufa!!!!! Pertubador!!!

moça disse...

Já assisti o filme da Frida. Muito bom ó!

eu me acho uma louca de gostar desse masoquismo, acho que já te falei isso, por isso que pode ser bom os enigmas sem solução! Só não gosto de enigmas vazios, gosto de saber por quem eu sofro. Tipo, ter uma imagem pra pensar!
Mas pra ter sofrimento precisa primeiro ter uma boa dosagem de felicidade em alegria pra sentir a felicidade da saudade e por fim sofrer pra querer ficar bem dinovo!
^^

Thiago Ya'agob disse...

Bom dia, Danilo.

Estou boquiaberto com esse post. Três grandes artistas no mesmo ‘palco’: Lispector, Kahlo e Castro. Isso sim é ser abençoado pelos deuses, numa linguagem popularmente dita. – risos.

Amigo,
A história de Frida é intensa. Pelos quadros já temos essa clara e forte impressão.
Meu primeiro contato com ‘Frida’ foi em Março de 2007, no Memorial da América Latina; era uma exposição que levou o nome de ‘Só Fridas’ (Sofridas). Não sei se você chegou a ver ao filme ‘Frida’, caso não tenha assistido, deixo aqui essa sugestão.

Transcrevo um fragmento de Frida, o meu predileto, onde diz:

''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''

Intenso, não? ...
‘Eu envelheci em instantes...’

[...]

Deixo a densidade de Clarice ao lado e sigo para externar tão maravilhada comoção tive ao ler o seu texto:

‘Há em mim uma coisa que grita porque há tempos nada me dói, e quando nada me dói, nada escrevo, entro em crise’

Não sei o que escrever. Você já o disse tudo. E é por isso que as letras nos unem. Você consegue externar o ‘desentendimento entendido’. Isso me atrai à sua escrita num contentamento contente. – risos.

Amigo, é bom vir aqui. Saciei-me em leitura em teu blog hoje. E comecei minha semana em grande estilo.

Ósculos e amplexos,
Shalom.

Luiz Alberto disse...

Frida era única e sempre será...

estilo originalíssimo!!!!