domingo, 2 de agosto de 2009

Diástole

"Lá, no fundo, um certo receio da descoberta, o mesmo quando se arranca a primeira camada da pele."
Priscila Cáliga
Imagem: Google

Quando eu não mais escrever o Eu egocêntrico que me doma, poderei dizer que o que escrevo é arte. Porque escrever do Eu sem me preocupar com o eu de quem me lê, tem suas limitações. Meu Eu um dia há de vir grafado com essência de Nós para que eu não fique por aí perdido, cantarolando noutra língua, sem alguém para me entender. Mas Eu sou assim, um turbilhão de energia dissipada a procura da canalização das minhas forças. Preciso de outro tempo para que eu confie que consigo mais do que posso imaginar. Mas não adianta só cantar alto, tenho de cantar no tom. Este só poderá ser audível quando o que escrevo tocar as harpas insólitas de quem me lê. É uma pena esta utopia, pois são sístoles compulsivas os meus grafos desafinados. A melodia que me doma tem dois tempos, mas estou condenado a andar somente num.


Danilo Castro
02.08.2009

16 comentários:

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Eu acho que vc escreeve é bem... parabéns, quem diz que isso não é arte, mesmo falando de seu Eu egocêntrico!

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Mas uma coisa vc está certo, e talvez não é todo mundo que se importa: o que importa se vc escrever do seu Eu sem que se preocupe com o Eu de quem lê..
Essa é a mais pura verdade! Na verdade agente escreve mesmo para os outros...

Achei bacana vc admitir isso!!

Mitti disse...

Nossa..o seu eu é complexo...hehehehe
mas gostei de ler sobre seu eu falando sobre os eu´s de quem ler....hehehehhee

to te seguindo

moça disse...

acho que o meu Eu também precisa achar um eu para cantar alto e no tom em dois tempos!
gostei da sístole, precisamos encontrar a diástole!
;)

beijos!!

moça disse...

na verdade é: gostei da diástole, precisamos da sístole para o coração funcionar!

Guia do Rock disse...

Acho que quem escreve estará sempre condenando à percepção de seu eu, afinal, só podemos achar que escrevemos algo relevante se imaginarmos interessar a outra pessoa.

Paula Febbe
http://desuso.wordpress.com
http://palavraporencomenda.wordpress.com

O Heautontimoroumenos disse...

Algo q me perturba esse tal "eu-egocentrico"... minha guerra? Contra o Ego!! Ao ego batisei "O carrasco de si mesmo" e com um empréstimo do Baudelaire o termo "O Heautontimoroumenos". Gostei do seu texto, o próprio Baudelaire falava que se limitaria a escrever para os mortos, acho interessante esse tipo de individuação onde o indivíduo experimenta tal satisfação que não reinvindica a necessidade de compreenção, afinal não podemos querer que o mundo seja todo igual a nossa própria experiência subjetiva... contemplar o outro estando por traz de si mesmo é uma postura demasiadamente elevada para um mundo onde se valorisa exessivamente o espelho. http://oheautontimoroumenos.blogspot.com/2009/06/o-perigo-do-carrasco-de-si-mesmo-ou-do.html

moça disse...

curinho!
hauihauauihauihaiuhau

Canteiro Pessoal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canteiro Pessoal disse...

Lá, no fundo [intraduzível], um certo receio da descoberta [Priscila, Danilo e 'mortais' à espreita do], o mesmo quando se arranca a primeira camada da pele. Por que receio da descoberta? Dizem pra mim, em partituras teóricas, que em toda pergunta há resposta. E eu digo que em toda resposta um vácuo, afinal na arte da: 'os sentidos da tal finitude, pergunta-resposta estão inadequadamente desenvolvidos'. Concluo: "Temos receio que as pessoas não gostem de nós se souberem como somos realmente".
[...] entender o que é intraduzível? Nossos sentimentos mais profundos? Nossa alma tão petrificada e olhar tão turvo? Nossa mala mental carrega da tela tradicional?
Mesmo que observadores não compreendam e nós mesmos enlouqueçamos neste que nos 'doma' que é a cultura nos ensinada, precisamos atuar o fechar de olhos do 'ignorar' e acender as velas para que o esvoaçar da visita baile em traços finos, operando sobre o desligamento das instalações.

Ele. Tenho de cantar no tom!
Pense: 'E o tom que clama é do começar, agora, sem tom! Muitos falarão: [- Mas, sem tom!? Não pode-se escrever música letral sem tom!] Só que cantar [ilógico]assim, é segredos do existir, também, a única maneira de escrever sem armadura. Aprender a ouvir-nos e ao próximo em silêncio para recitar movimentos que ignoramos completamente no atuar 'egocêntrico'. Sim ! O silêncio é fundamental dentro do pulsante choro em chorar fêmea em batom e boneca; macho carro e carrinho. O silêncio entre as notas de um universo misterioso. A chave da nossa soltura, onde as paredes não atuam é tarde para ser os ouvidos que ouvem o eco de uma voz retumbando longe do palco, por trás da cortina.

Eu. A minha visão de que abrigas
tão verdade mentirosa, pois minha visão é minha amiga destrutiva. E com o nariz arrebitado [no estado de cegueira], não me faz perceber o grande nariz torto que tenho. Leio noite e dia, mas ao estereótipo persisto e leio preto, enquanto ler branco é do curvar no quadrado do dois em um e me faz soar proclame boa vinda do prenúncio verde.

Belíssimo escrito que me faz registro do invisível visível em delírio, e organiza no reorganizar as coisitas dentro da minha caixa.

Beijos mil!

Priscila Cáliga

Natália Coelho disse...

No fundo,o EU escreve sobre EU para todos, na esperança de que todos se importem com as opiniões, idéias e desabafos do EU.
Para mim quaisquer palavras unidas corretamente e "belamente", devem ser consideradas ARTE.
O legal é essa identificação com o eu-egocêntrico do outro. Ás vezes alguém diz o que sempre pensamos, mas nunca dizemos,enfim, os blogs são exemplos claros disso.

Abraços

Antonoly disse...

O "seu eu" e o texto são complexos, dá para extrair diversas interpretações...

FAGGH® disse...

Opa! Danilo ainda não conhecia seu blog muito bacana o formato.O texto é autobiográfico?
abrç
www.celebritypoke.blogspot.com

Vini e Carol disse...

Sim, o que você escreve é arte!
Todas as palavras que saem do coração, e param num simples teclado, pode se dizer que é arte, é a parte diferencial das escritas, as escritas com amor, e as escritas apenas por escrever.
Seu texto ficou fantástico!

Cara, aproveito a oportunidade pra retribuir seu comentário sobre a alienação da Tv Aberta..

O meu texto foi direcionado ao público que reclama cara, se a gente parar para pensar, essa pessoas que você citou que não tem condição não reclamam! Quem reclama é o pessoal inteligente, que acha que somos manipulados, coisa que não creio.
Eu sei que a TV aberta tem uma grande influência na sociedade mais pobre, mas eles não saem em blogs e em outros meios de informação reclamando, e sim assistem numa boa.

Bom, é um assunto que vai dar o que falar ainda..
Todos os termos são corretos, só as opiniões que são divergentes.

Abraço.

O Espelho de Eva disse...

O meu EU é egoista, porqaue toda eu sou. Mas o meu Eu se satisfaz quando o Nós o aplaude. Beijos. "Põe meis dúzia de bhama pra gelar que eu tô voltando..."

Edilaine disse...

Mto bom seu texto, ficou ótimo o jogo com as palavras, vc escreve mto bem...