quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Por favor, Luz para quem não vê.

"Estamos como cavalinhos de carrossel. Corremos atrás dos outros e nunca nos alcançamos"
Jean-Paul Sartre



Sei com uma absoluta certeza que sou alforriado de amarras que pensei que pudera ter, mas por alguma dádiva nunca tive. Há em mim um ar soberano que reina venturoso, o mesmo ar que entrelaça o primeiro vôo de uma borboleta que há pouco descobriu o que é voar. E de cima, vejo quão distante ando de um mundo apenas imagético, lindo por fora e vazio por dentro. Percebo a imensidade do bem que experiências de uma vida aparentemente linear já me trouxeram. Eu, um ser com apenas duas décadas fincadas num paraíso errante, posso afirmar que sou hoje muito além do que um dia já pude desejar ser. Posso gritar que daqui há dez anos continuarei sendo o homem que sempre sonhei ser e quanto mais décadas se passarem, mais orgulho terei do que se consolidou em mim. Ao pensar que algum dia o destino poderia ter sido injusto comigo, vejo que fui tolo, porque sou agraciado. Pois ser o que me tornei não seria fácil se eu fosse apenas mais uma peça nesse tabuleiro de brinquedo. Minha vida é de verdade, diferente de outras vidas desperdiçadas que andam ocupando espaço no mundo. É bom conviver com a certeza de que estou além dessa bolha doente escondida por uma beleza plástica. Saber que mais valem rugas ou feridas na alma do que qualquer outra coisa que seja apenas superficial, retida nos poros. Há cortes na minha pele, hemorragias transbordando dor, mas em mim reina hoje uma felicidade indomável por cada uma dessas feridas expostas, disfarçadas por uma personalidade sólida. Eu sou assim e clamo: abram as portas da vida para os cegos que caminham ao meu redor, é preciso viver, é preciso que se beba mais luz, é preciso ver que brincadeira tem limite. Há tempos não mais estou brincando nesse joguinho leviano e circular, porque justamente após a linha tênue que demarca esse território vazio, posso encontrar a essência que sempre busquei.



Danilo Castro
06.08.2009


19 comentários:

Mitti disse...

Fico feliz por vc! É bom que vc tenha encontrado seu espaço e descoberto que vc é nesse universo.

Felicidades

Thiago Ya'agob disse...

Danilo, que o dia íntimo possa melhorar em breve. São meus votos sinceros, querido.

Rapaz, eu ando respirando Clarice e não posso deixar de mencioná-la enquanto teço um comentário em sua postagem - gosto de vir aqui pois sei que Clarice – de certa forma, nos inspira. A mim, provoca uma familiaridade tão intensa que chega a doer - invade minha privacidade.

Viver vai além de existir. E sei que vivemos e viveremos, Danilo. Vida atrai vida. Embora simples, essa última frase, ela agrega uma verdade que por vezes camuflamos em nós – muitas vezes é mais fácil reconhecer o som do pranto do que o da festa.

Estou lendo A PAIXÃO SEGUNDO G.H. e quero deixar aqui dois fragmentos que resume um pouco o seu post.:

“Com reverência eu temia a existência do mundo para mim.
- É que, mão que me sustenta, é que eu, numa experiência que não quero nunca mais, numa experiência pela qual peço perdão a mim mesma, eu estava saindo do meu mundo e entrando no mundo.
É que eu não estava mais me vendo, estava era vendo.”

“A vida em mim é tão insistente que se me partirem, como a uma lagartixa, os pedaços continuarão estremecendo e se mexendo. Sou o silêncio gravado numa parede, e a borboleta mais antiga esvoaça e me defronta: a mesma de sempre. De nascer até morrer é o que eu me chamo de humana, e nunca propriamente morrerei.”

...


Tenha um final de semana melhor, Danilo. Há vida que pulsa vida em ti.

...

"Há em mim um ar soberano que reina venturoso, o mesmo ar que entrelaça o primeiro vôo de uma borboleta que há pouco descobriu o que é voar."

Shalom.

Net Esportes disse...

no começo e no meio te chamaria de convencido, mas no final percebo que você encontrou respostas, encontrou a luz, só me resta de felicitar com parabéns !!!!!!

O Espelho de Eva disse...

Que bom que sabe quem é, que se achou, queria eu ter essas certezas, pois ando me errando em mim, procurando eu em mim, observando "EU", e cada tempo mais que olho mais me desconheço, mais não sei quem sou, mas distante e mais perto me encontro de mim, e fico sempre na dúvida será que queroi realmente saber quem sou, ou serei? talvez a resposta me an iquile e eu, em mim corro em busca da eternidade.

MIl bjs.

Brenda Maciel disse...

Ser o que hoje somos, tendo consciencia dos nossos atos e do que nos fez chegar a nossa personalidade própria é uma "beleza" mesmo. Ter certeza de que são os erros que nos modelam, e que tudo está a nosso favor, bastando olhar com os "olhos" de um candeeiro, é melhor ainda.

moça disse...
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moça disse...

"Saber que mais valem rugas ou feridas na alma do que qualquer outra coisa que seja apenas superficial, retida nos poros. Há cortes na minha pele, hemorragias transbordando dor"

(sem vontade de escrever, comentar...)

gostei do texto!
beijocas
Danilo que pode ser Nilo viaja no perigo que é seu umbigo, mas sabe consigo que esse martírio é muito preciso para o eu ser plausível no amor próprio sempre imprevisível. (saiu...)

Gabriela disse...

"É bom conviver com a certeza de que estou além dessa bolha doente escondida por uma beleza plástica."

A gente só reconhece tudo, a importancia, depois de ter passado mesmo... depois eu converso melhor contigo. ainda bem q tu pensa assim xD
não se preocupa, viu?
=***

Natália Coelho disse...

Sempre me surpreendo com seus textos, você fala de coisas intensas de uma forma sutil e pessoal, gosto disso.

Feliz de você que com apenas duas décadas de existência (sim,existência,não vida,você mesmo disse que não está aqui só ocupando espaço), conseguiu enxergar o que quer ser, e mais que gosta do que se transformou.

Muitos cegos ainda precisam enxergar que há vida lá fora e ela foi feita pra ser desfrutada, vivida. Ás vezes eu acho que tenho problema de vista, uma hora eu enxergo outras não...se é que me entende.

Abraços

Ana Lucia Nicolau disse...

adorei o texto...fico feliz por vc.
gostei muito da frase inicial ... dos cavalinhos...

Cetreus Nominal disse...

Em busca da essência. Bem vindo ao complexo humanóide ;P Talvez se encontrarmos essa essência dita, ficaremos na inércia, amigo. Talvez o importante não seja a linha de chegada mas sim a trajetória.

Adote a política do vivendo e não busque o ter 'vivido'.

Abraços.

Anônimo disse...

Olá moço cearense. Estive por suas bandas faz um mês, até escrevi no blog sobre isso. Lendo teu texto, que saiu como as palavras verdadeiras saem, de forma espontânea e imediata, me bateu uma curiosidade grande pra ''saber'' quem tu é. Vou até mesmo futricar em seu orkut. Um abraço

Júlia
www.catherinedejupiter.blogspot.com

Registro de um Jardim Secreto disse...

REGISTRO DE SCRAPS ORIUNDOS DE UM JARDIM SECRETO.

Aproveito tempo do luxual outorgado para escrevinhar aqui, no intuito duma finitude não finitude em pouso da revisita em seu espaço peculiar, afinal não passou desapercebido palavras imensuráveis psicografadas em meu território 'orkutal', este que tenho atuado em grande relapso devido a compromissos, onde tiro minha subsistência e familiar. Também, meu pulsante de vida que polvilha todo existencial da [cá], pois, o íntimo da menina-mulher que vos fala, não existe sem este aroma diário [matutino/vespertino] dos atendimentos na Educação Inclusiva.

São presentes no meu território incompleto, mas que caça [na imperfeição] desenfreadamente, o completar da fragrância gardenial a cada manhã em minha abertura de olhos. Exalar do que realmente importa na vida!
Perolizado seu citar a respeito de seus pais, sacudindo minha estrutura e creio que de quem lê. Discurso que remove palavras terminativas nas entranhas, até clarear meu olhar trilhante muita das vezes, no ‘turvo’, para um próximo capítulo. Peço-te! Agracia-me com este continuar em partitura para um grande concerto de história vival, que tanto me propicia enleios metamorfais [!?] Beethoven enfatizou: “O 1º primeiro movimento se torna o 2º. A cada idéia que morre, uma nova nasce. Que só conseguiu ouvir a voz de dentro, depois de surdo”.

Privilegiado és tu no ser criado, modelado e forjado por seres que possuem no caráter o maior ensinamento do que é o amor. Pois, ‘especiais’ possuem o dom de nos ensinar o que amar e na íntegra. Assim, tão amor que não se encontra explicação e, como é maravilhoso não explicar, mas tê-lo em vida íntima e atitudicional no nosso palco em cortinas fechadas e abertas, nos fazendo amanhecer diferentes. Estes que esboçam a caça além de uma foto; a busca dentro da figura armada na pose, o por trás de um sorriso travado e não travado, do gesto congelado e não congelado. O entender de ‘olhos’! Reconhecimento de olhos reais. Olhos não petrificados nem forçados nem medidos, mas que avisam: - Olhe... Olhem bem fundo! E no íntimo dessa pose, garimpar com sensibilidade e respeito, um terreno fundo, profundo e distante.

Lembro-me como se fosse hoje, um fato como uma somatória. Eu ia andando pelo trajeto de sempre e olhava tudo a minha volta, mar de pessoas e uma em especial saltavam meus olhos, ‘Síndrome de Down’ e no preludiar do pensar tudo o que lhe fazia diferente. Ainda, naquele momento, não percebera que na verdade estava sendo fisgada de uma atenção muito rara, livre de quaisquer resquícios preconceituosos. Via tudo, e pouco a pouco fui notando, que estava percebendo o meu redor por um novo ângulo, do amplo para o profundo. Assimilando ali, a idéia irrefutável de que nada é por acaso, e pronto! Assim, por casualidade, me deparei com o ser que saltava meus olhos, no lugar que fui trabalhar, e, como um filme colorido, vi minha história o passado, o presente e o futuro num encaixe preciso do aval de que estava sendo chamada para uma escolha

Palavras no Aurélio são insuficientes para tal descrever que este me causara, mas posso como um adoçar de curiosidade relatar que meus valores foram refeitos na 'Inclusão', pois o efeito que o relacionar, conviver com cada ser de uma grande limitação extrema marcar em meu íntimo, promove uma virada de questionamentos e insatisfações gigantesca, mudando de direção meu foco umbilical constantemente.
Aprendo com cada um que “SUPERAÇÃO É... PODER FAZER ACONTECER COM AS FERRAMENTAS QUE TEMOS EM MÃOS... TRABALHAR DA MELHOR FORMA POSSÍVEL INDEPENDENTE DO QUE PENSEM OU FALEM... IRMOS ALÉM DO QUE OS OUTROS ACHAM QUE SOMOS CAPAZES”.

Abraço!

Danilo Castro disse...
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Registro de um Jardim Secreto disse...

Danilo.

Viajando hoje pelo orkut, que seria, um certo luxo por um dia de ofertar descanso e ficar em casa recolhida devido ao frio e chuva miuda [...] então, sem muita delonga, pois este espaço não cabe um testamento e que é uma lastima; venho visitar seu espaço com qualidade, já que me embreago por seu blog, homem que possui um letral fascinante e isso me choca em metamorfose, digo: é muito bom esbarrar, sempre que possível, em seus textos que narram pessoalidade 'leitura de alma'. Bem. Seu escrito [certas partes] causara um encaixa em meu âmago, caiu como uma luva. Ao prelúdio do pôr-de-sol, quantas vezes, as luzes de minha cidade instala uma eletricidade que camufla asfixiando o conforto escondido do que está. Lá, no fundo, um certo receio da descoberta, o mesmo quando se arranca a primeira camada da pele. Mas... mesmo que o céu pareça solitário em certos momentos e incompreendido [ninguém escapa deste atuar na existência], o amor nunca se fará fatura vencida e nem se submeterá a bancos em greves. bjs

Embrenhar-se no olhar bem dentro dos olhos da escrita que está por trás, é preludiar o suculento e fresco, aroma imaturo ao maduro. Tempo do sempre da metamorfose, pois somos obra inacabada em construção da reconstrução. Delírio do amanhecer que abre a nossa porta e bate o coração num congelar de impacto, fazendo-nos desfalecer em saudável morte.


Disseram pra mim, em outrora, que morrer é horrível [concordo], mas, é a única maneira do impossível elevar-se ao possível. Assim, partilhar segredos antes de dormir e nos inaugurarmos e misturarmos numa descoberta da redescoberta em que os dedos impõem sem firulas a delicadeza da procura que arranca a primeira camada da pele. Morrer para nascer! Beijos!

Pra mim, trilhar pessoal, abre meu âmago da: minha visão de que abrigas tão verdade mentirosa, pois minha visão é minha amiga destrutiva. E com um nariz arrebitado [no estado de cegueira], que não me faz perceber o grande nariz torto que tenho. Em que leio noite e dia, mas ao estereótipo persisto e leio preto, enquanto ler branco é do curvar no quadrado do dois em um e me fará soar proclame boa vinda do prenúncio verde. No pelo menos, esforçar num exprimir [tijolinho por tijolinho nesta minha construção biográfica] e diversas vezes, no 'perder' para ser-me encontrada em cenas de um filme colorido por válido no valer a pena, do mergulho na profundidade da profundidade e grito de dor, porque irá doer demais e muita solidão, deserto de Saara.

Danilo. Este meu mapa contém vácuos e ótica perversa, atuo '365 dias' como aqueles da escritura com uma pedra em mãos no apedrejar a mulher adúltera, que seria, esta personalidade intelectofútil que citara. Achando-me em míseras letras 'reconhecida' [por acaso algo me pertence? crio algo?], sendo que o 'iluminado' aborta o ler-me e escrever-me pra mim mesma, sem que alguém me aguarda e me compreenda. Queremos tantas vezes, vasculhar os escombros dos outros, enquanto na íntegra somos covardes e orgulhosos, os grandes mascarados. E para sermos inteligentes, necessário é o atuar do curvar 'arrependimento' de que nosso odor é puro enxofre e, querermos banho diário em águas do 'pessoal'.

Brenda Maciel disse...

OPA, olha eu aqui. Nossa, estes comentarios do teu blog são enormes, fiquei impressionada. HAHAHA
Obrigada pela tua visita. Aguardo um post novo teu : )
Enquanto não chega, vou comentar sobre teu comentário (rs)
Nossa cara, inspiração para ti é dor hein? A melancolia é bela, as lágrimas são um reflexo de nossa alma, alcançam o mais profundo de nossos sentimentos,e vazam pelos nossos olhos, mostrando a todos como nos sentimos, ou mostrando para nós mesmos. O sentimento esganiçado sempre soou mais poético. Mas viver sempre nessa vida de amador nunca foi muito saudável. : ) Te aguardo. Beijos.

Canteiro Pessoal disse...
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Canteiro Pessoal disse...
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Canteiro Pessoal disse...

Danilo. Alfa. Já em prelúdio recupera o que liga para declamar o tão extraordinário lido e relido diário livro seu.
Raro prazer para uma discente, pois coloco-me nesta condição ao ler-te. Sua loucura elegante em total liberdade escrital é conforto aos pés desta mulher.
Desabafo em leitura de alma. Cá. Pó. Aparência asseada e arrumada? Não me empenho em acompanhar a moda no atual [outrora a moda asfixiou-me de modo gritante]como um todo e com falas estranhas e indagações esquisitas, complexa neste palco.
Um dia a morte veio me contar um história. Em tremor parei para ler esses olhos. "- Os impessoais acabam deixando a vida passar em branco. Não percebendo que na declamante pessoalidade, rascunhos da leitura de alma, obtem-se a chave da possibilidade do desbloqueio. As pessoas bloqueam, mas os bloqueados que se desbloqueam".

.beijos mil!

Priscila Cáliga