domingo, 28 de fevereiro de 2010

Aspas em "Alfa"

Foto do espetáculo Revoar - Por Walmick Campos


"Entre a ignorância e o saber existe um v-á-c-u-o. É lá onde estou: num lugar que se chama Quase. Onde o caos de ambos os polos não existe. Imerso no silêncio do ventre de outrora."



Danilo Castro
02.02.2010

4 comentários:

moça disse...

o bom de está nesse lugar é que você não se torna uma pessoa prepotente e sim um eterno aprendiz do saber.
ei,gostei da rima!
rsrsrrssr

beijos (:

Thiago Ya'agob disse...

Oi, Danilo.

“Entre a ignorância e o saber existe um v-á-c-u-o. É lá onde estou: num lugar que se chama Quase. Onde o caos de ambos os polos não existe. Imerso no silêncio do ventre de outrora.”

Seu texto é de uma intensidade tamanha que quis transcrevê-lo, letra a letra, para tentar percebê-lo inda mais. Foi bom esse contato; tive minhas impressões... reflexivas.

Clarice, em Água Viva, escrevera: “Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.”

Obrigado por seu carinho sempre demonstrado no Debaixo das Asas. Estou contente também em volver aos teus escritos.

Tenha uma ótima 5ª e execelente final de semana, amigo.
(Tenho orado para que logo você esteja nos palcos paulistas. Mantenha-me informado).

Ps: Linda a foto.

Gilson disse...

Danilo

Uauuuu, muito profundo e eu estou lá juntamente contigo. É excelente quando entramos num blog e o post nos faz refletir.

Abraços meu amigo

Canteiro Pessoal disse...

Danilo,

sua grafia molha meus lábios. Como seu universo literal me atrai e vai me tatuando em versões novas. Realmente, 'entre a ignorância e o saber existe um v-á-c-u-o'. Ao 'imerso no silêncio do ventre de outrora', o ser grita numa voz muda as palavras que não mais molham os lábios. Nos olhos que vê a realidade que circunda resulta de estado sombrio. E a pele em calafrios no giz que traça as palavras que não decifra em canção do amor. A alma avisando que cega está. Na moléstia o padecer entre gestos de agonia. Fase difícil ? Sim ! Um aperto no peito, o perfume pela casa não percorrendo como outrora. O ornamento da morte que enfeita os dias nas chagas abertas. Já não há reflexos, tão pouco há noções. Os abutres rejubilam com o banquete da trêmula caligrafia. Assim, sentenciada pelo que corrói e mutilação, se definha por cheiro de águas estagnadas. E os cacos de vidros enchem os devaneios de sombras. Ao dia de anúncio depositando lágrimas e segredos, o que não pode exprimir sendo o mais secreto dos segredos. O olhar para o jardim e à frente no perder de vista, sussurro e voz que se faz ecoar do interior da bolha de vidro do escafandro.

Querido,

paz!

Priscila Cáliga