terça-feira, 12 de julho de 2011

O estranho familiar

“Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo.
Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”

Freud

Sigmund Freud
Bem por acaso, a psicanalista Lia Silveira chegou até meu blog e conheceu o “Processo do Rato”. A partir daí, Lia leu o conto e percebeu a relação com um conceito freudiano titulado por “Unheimlich” (termo alemão que significa o equivalente a “tenebroso”), que versa sobre o terror que nós temos não de algo externo, distante, mas de algo extremamente interno e peculiar. É o medo de nós mesmos, de algo que existe em nós e tentamos repugná-lo ou nos distanciar. Muitas vezes isso é impossível. Com o menino que se aleija ao deixar o rato comer-lhe os dedos acontece algo estranhamente familiar. Aquilo é proibido, repugnante, terrível, mas é ali, nos encontros bizarros de amor entre ele e o rato que ele se encontra, se realiza em si. Isso é interessantíssimo, mesmo com minha analogia barata do termo, a contribuição de Lia foi sim fundamental para eu reavivar o personagem-menino que criei e que é sim um pedaço de mim que ainda não sei onde vai chegar nesse processo. Cheguei a escrever para Lia, em resposta ao seu comentário, que estou temeroso em relação ao processo que estou construindo e tentando dar abertura pra que alheios participem dessa construção. Além da estética, musicalidade, teatralidade do que pretendo expor, não posso me esquecer do fundamental: o meu menino, o meu personagem a espinha dorsal dessa his/estória.

Clique aqui para conhecer o blog de Lia Silveira.

8 comentários:

Felipe Sales disse...

que interessante! #todeolho vai fundo e lembre-se que transpiracao eh a inspiracao do ator.

Dois Rios disse...

Seria um laboratório ou uma catarse? Passei longe?
===
Acho que a minha irmã, que também é psicanalista como a Lia, adoraria ler esse(s) texto(s).

Beijo,
I.

Danilo Castro disse...

Felipe,

Obrigado pela força. Trabalhar com arte é, além de trasngredir e enlouquecer, ser são e disciplinado. Que eu consiga me permear desses dois universos, o Apolínio e o Dionisíaco, tão opostos.

Danilo Castro disse...

Inês,

Apresente o conto à sua irmã e veja que contribuição ele pode me dar. É muito legal poder dialogar com áreas que estrapolam a área artística.

É laboratório sim. Um espaço no tempo para experimentação e diálogo. Ali na frente não sei direito o que vou colher, mas estou seguindo o rumo da correnteza.

É também catarse, é identidade minha se transformando humana, possível.

Um beijo!

Dois Rios disse...

Danilo,

Já mandei o conto para a minha irmã. Ainda que ela não leve nenhum jeito para informática, alimento uma certa esperança de que ela se manifeste.

Beijo,

Canteiro Pessoal disse...

danilo, maravilhoso o que promoves; trará um crescer fabuloso, tanto pra ti em todas as áreas, como para os que acompanham seu blog. assim como, o universo interior revelará ao longo do processo, que não há finitude, mas, re/metamorfose. na próxima visita estarei com mais afinco na leitura: o rato entocado no canto.

abraços, priscila cáliga

Danilo Castro disse...

Pri, estou mesmo precisando de forças. Meu fogo anda apagando aqui acolá, apesar de a brasa ainda resistir.

Lia Silveira disse...

Olá Danilo, vejo que a leitura de Freud rendeu algumas reflexões. legal!
Se quiser conversar mais sobre essas ou outras questões, será um prazer.
Obrigada por ter divulgado meu blog.
abraços
Lia Silveira