sábado, 28 de janeiro de 2012

A aula cênica de Maurice

Ator Maurice Durozier na conferência "Palavra de ator"
Às vezes uma discussão se faz extremamente banal e pertinente ao mesmo tempo. É capaz de ser pueril, mas atingir em essência. Não é incrível ou inovadora, mas é renovadora. Aquilo que já sabemos e pouco discutimos justamente por “já sabermos” é levado tão a sério e é tão fundamental, que sempre se torna novo.

Após um café da manhã compartilhado entre artistas locais, Maurice Durozier, ator da companhia francesa Théâtre du Soleil, apresentou uma discussão cênica numa espécie de leitura didático-dramática que aconteceu hoje (28/01) no Theatro José de Alencar. O ator veio a convite da Vila das Artes, equipamento da Prefeitura de Fortaleza.

A aula intitulada “Palavra de ator”, beirou uma palestra cênica, com participação de atrizes locais que conduziram os ensaiados questionamentos leigos, ingênuos, mas francos e fundantes. O ator contou trechos de sua trajetória, transitando do existencialismo artístico ao mais básico conceito teatral da relação entre ator e personagem ou entre vida e ficção.

Ele versou sobre a importância da experimentação quando se é jovem e sobre o direito de errar que compreendeu ainda mais após a aproximação com os métodos do visionário Antonin Artaud e seu "Teatro  da Crueldade", ritualístico e totalizante. Maurice também repudiou o narcisismo artístico, quando ator expõe o ego à frente da persona e faz-se sem credibilidade. Então me lembrei da célebre frase de Stanislavski que deveríamos tê-la como mandamento. “Ame a Arte que há em você. Não você na Arte”.

Dica: A atriz fortalezense Christiane Góis esteve na França recentemente em residência no Théâtre du Soleil. Para conhecer mais das suas experiências, visite o blog Residencial Soleil.

Saiba mais] Abhinaya: um teatro de códigos gestuais e emoções

Durante a conferência, Maurice deixou mais uma vez evidente sua forte influência oriunda do teatro tradicional indiano, o Abhinaya. Com algumas demonstrações técnicas, vimos que cada gesto significa um estado psicológico, uma emoção, das mais leves às mais intensas e profundas. Esses códigos são transmitidos pelos atores ao público, que já traz uma carga de conhecimento sobre a composição visual e compreende as correlações de forças na atuação coreográfica indiana.

Abaixo um vídeo da atriz e pesquisadora Silvana Duarte em uma cena do espetáculo “Kuruyadunandana do guru Kelucharam Mohapatra” (não encontrei a tradução), no estilo Abinaya, onde a intensa paixão é o exemplo que o poeta Jayadeva ( autor do escrito que serviu como ponto de partida para o espetáculo) usa para expressar a complexidade do amor humano e divino.


Danilo Castro
28/01/2011

Fonte da pesquisa: Padmaa Arte e Cultura

2 comentários:

Giselle Girassol disse...

HOJE EU TIVE DE CARA COM MEU SONHO!E ELE TEVE CORAGEM DE SER.PORQUE A CHUVA CHOVE E A VIDA TAMBÉM.EVOÉ AOS TEATREIROS DE CORAÇÃO.MÃO NA MASSA!

Flávia Cavalcante disse...

Manhã Linda com Maurice Durozier. Bom está com os amigos atores, numa total comunhão do fazer.