domingo, 5 de fevereiro de 2012

Depois que a coisa toda começou

Patrícia Selonk em, Antes da Coisa Toda Começar
A discussão não é segmentada. Dentro das histórias pitorescas e comuns ao mesmo tempo, encontramos os pontos de conexões com as nossas histórias, são experiências humanas e universais. Quem nunca viveu seus momentos de existencialismo suicida? Somos ou já fomos jovens e vivemos ou vivíamos nossos deslumbres com sonhos impossíveis que, com o peso do tempo, metamorfosearam-se numa crise estranha que nos arrebata em algum momento depois que a coisa toda começou.


Antes da Coisa Toda Começar, da Companhia Armazém de Teatro, traz um grandioso espetáculo dentro de uma discussão extremamente intimista proposta pelos dramaturgos Paulo de Moraes e Maurício Arruda Mendonça. Essa noção de espaços e tamanhos entre forma e conteúdo me levaram a um questionamento pueril e ousado. Seria essa a melhor forma de dizer? 

O espetáculo é literalmente um show, com uma maquinaria cenográfica incrível, concertos a la rock and roll (direção musical de Ricco Viana), iluminação hiperbólica e ofuscante, projeções conectadíssimas com a concretude cênica. Mas essa superabundância sígnica ou esse caos imagético, num enredo que talvez caminhe e nos leve junto a outra vibe, causaria um estranhamento não calculado? Ou isso tudo faz parte do nosso universo contemporâneo, onírico, fragmentado, urbano, em estado de transe, sob efeito de doses de absinto?

Ao mesmo tempo, depois que a coisa toda começou a andar, contrapus-me com outras reflexões. O cenário, apesar do seu gigantismo, não é, em nenhum momento, um mero apetrecho cênico. Além da usabilidade, ele nos comunica impressões, sensações e é uma marca do grupo. Por ser mutante e carregar um aspecto rígido e pesado, mas ao mesmo tempo com uma leveza e flexibilidade, esse gigantismo não pode ser confundido com um caráter espetaculoso e vazio. 

O teatro cearense muitas vezes opta pelo “teatro pobre” (no melhor sentido da expressão) em virtude do pouco apoio às artes cênicas no nosso Estado e das dificuldades de financiamento. Talvez isso tenha colaborado com montagens mais sintéticas, práticas e que não precisam de um mundo de aporias para comunicar sua essência. 

A montagem do grupo reforça ainda mais uma identidade criada na sua trajetória de 24 anos, que começou no Paraná e hoje está consolidada nacionalmente. Que o Theatro José de Alencar continue trazendo bons projetos a preços acessíveis para dialogar com a cena e o povo fortalezense.

Danilo Castro
05/02/2012

Veja o traller do espetáculo:


Dica] O espetáculo ainda está em cartaz hoje (5/02), no Theatro José de Alencar, às 20h. O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia. Vale a pena conferir. Para saber mais detalhes sobre o trabalho do grupo, visite o site da Companhia Armazém de Teatro.


3 comentários:

Fernanda Siebra disse...

essa época em que não tô pondo os pés no teatro o teu blog virou página inicial. rs

Felipe Tavares disse...

Ae Danilo, adorei o blog!
Voltarei mais vezes!

Fernanda Camargo disse...

Oi Danilo, tudo bem? obrigada pelas linhas e pelo carinho. Adoramos Fortaleza e sempre queremos estar neste circuito!! obrigada mesmo, vamos colocar lá no nosso facebook! bjs