domingo, 26 de fevereiro de 2012

A gêmea de Thatcher

Meryl Streep e Margaret Thatcher,
a verdadeira dama de ferro
Em A Dama de Ferro, com duas indicações ao Oscar 2012 (melhor atriz e melhor maquiagem), a diretora Phyllida Lloyd consegue adentrar num universo extremamente feminino e singular, mostrando a vida da ex-primeira ministra da Inglaterra Margaret Thatcher (Meryl Streep): uma mulher determinada, de família humilde, que chegou ao poder a contragosto de um padrão social machista. É de se louvar quando ela se impõe diante de vários homens que a ridicularizam por ser mulher, ao mesmo tempo em que sua firmeza leva-a, após uma década de poder, ao descontrole.

Fazer um filme político contando a história do Reino Unido sem comprar uma causa, talvez seja o mais difícil. Ficar em cima do muro pode ser um tiro no pé ou ser extremamente necessário. Creio que o melhor da dramaturgia seja o contexto histórico, que é levantado sem se posicionar quanto às atitudes de Thatcher. Seu conservadorismo extremo e suas decisões fazem com que nos sintamos livres para amá-la ou odiá-la. O filme não induz, não julga, apenas expõe uma mulher que mudou a história do mundo ao se tornar a primeira ministra a comandar uma nação. 

Sua oposição aos sindicatos, ao socialismo e decisões como manter taxas de impostos iguais para ricos e pobres ou a cruel e irrevogável batalha de retomada das Malvinas, aos meus olhos leigos, que não conheciam sua história e fazem neste parágrafo uma análise superficial, distanciaram-me dela. Doeu-me saber que as ilhas situadas em litoral argentino, mas pertencentes ao governo britânico à força desde 1833, foram alvo de uma disputa que matou mais de 600 soldados argentinos. Sim, houve proposta de negociação e concílio, mas Thatcher não aceitou.

Durante toda a trama, que começa cotidiana ao vermos a ex-ministra quase impossibilitada de comprar uma garrafa de leite numa quitanda, vamos crescendo junto ao filme, que é robusto e firme como a protagonista, mas aos poucos se revela profundo e sensível ao vermos a mãe, a esposa, os seus delírios e alucinações que o peso da idade trouxe consigo.

A veterana Meryl Streep, sem delongas, está tão bem como Thatcher, que simplesmente me esqueci de observar seu trabalho técnico de atriz. Fui fisgado e me deixei levar. Basta assistir aos vídeos da ex-primeira ministra e comparar com as cenas interpretadas por Meryl. É incrível a construção do seu trabalho.

Danilo Castro
26/02/2012

Veja o traller do filme:


6 comentários:

Samira de Castro disse...

Certamente ela pagou (física e emocionalmente) o preço pelas escolhas que fez. A guerra das Malvinas é uma dessas ocasiões...

Rodrigo Amaral disse...

Dialogando com seu texto: http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&id=14585&Itemid=75

Bruno Lobo disse...

Baixei o filme e infelizmente resolvi assistí-lo muito cansado mas impressionado com o poder de streep nos primeiros minutos, lutei contra o sono mas não deu, dormi... Escutei depois que the iron lady é um filme de atriz, com uma direção chapada and no suprises. Críticas e comentários ruins sempre são pequenos parasitas que invadem nossa cabeça e se deixar saem comendo toda nossa disposição [rs].
Boas impressões já causam o oposto e depois de ler as suas já vou colocar a senhora Thatcher no pendrive.

Camila Brandão disse...

assistir o filme na sexta à noite e sair do cinema com sensação meio louca... de orgulho por uma mulher tão protagonista no mundo tão machista, mas ao mesmo tempo tão conservadora nas idéias... a posição dela com sindicatos e taxação de impostos iguais pra rendas desiguais me assustou mas que me encantou...

adorei seu texto e tb acabei lendo o artigo da Eleonora Rosset que sta no blog do Zé Dirceu e acho que uma coisa vc, ela e eu concordamos que é a atriz foi um espetaculo.

Danilo Castro disse...

Camila, também senti isso. Orgulho e repulsa ao mesmo tempo.

Felipe Sales disse...

Não sei falar sobre um trabalho ao qual Meryl Streep está inserida, porque certamente me perco babando-a! Ela absolutamente extraordinária em sua interpretação minimalista sem esquecer nenhum detalhe. Ela é tão precisa! E está a cada quadro plena!