segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Os pássaros fluorescentes

Adaptar é construir uma nova obra. Faz-se tão difícil quanto a própria criação. Em O Pássaro Azul, espetáculo infantil do grupo cearense Pavilhão da Magnólia, o coletivo traz cenas ousadas e incandescentes numa adaptação (Victor Augusto) homônima a partir do texto do autor belga Maurice Meterlinck. 

O universo infantil é mutante, talvez mais que o universo adulto justamente por estarmos contaminados de coisas que se tornaram arcaicas. As crianças já nascem embebidas numa contemporaneidade tecnológica incrível. No espetáculo, o Pavilhão traz valores fundantes (inclusive da cultura popular tradicional, através da musicalidade ao vivo de Marcos Venícius) para a formação de um indivíduo dentro de uma concepção fora de padrões tradicionais, mas é preciso cuidado.

Em meio ao cítrico em alto contraste com a escuridão, um teatro de imagens fluorescentes encandeia nossos olhos, que se tornam infantes, ludibriados pelo encantamento proposto. Mas, ao mesmo tempo em que a estética é o ponto forte do trabalho, talvez seja necessário dar mais precisão às mudanças de luz para que não fiquemos perdidamente imersos num mundo de iluminações superabundantes. 

Achar os momentos certos para fisgar o público pode ser mais válido que bombardeá-lo com uma bela proposta luminosa. A mesma precisão que sugiro para a luz e seus tons e nuances, equiparo à necessidade de marcas e atuações talvez mais compactas ou elaboradas, não tão dispersas. Rachel Jataí (gatinha Tylete), com seu estilo caricatural e segmentado - como um desenho animado - mostra uma composição física com ações refinadas e Silvianne Lima (Maria Clara) com sua voz limpa e suave, traz uma atuação infante e bastante crível. Ambas são atrizes que se destacam no trabalho.

À direção (Nelson Albuquerque) cabe o olhar apurado para polir o potencial disperso dos atores, que têm uma energia brincante que contagia os espectadores mais exigentes: as Crianças. Sintetizar o espetáculo, reduzindo a entropia pode ser uma boa saída para canalizar a estética, que deve ser pano de fundo diante do cunho social do trabalho. Com sete espetáculos no currículo, o grupo vem se consolidando como um dos principais realizadores de teatro infantil no Ceará. Que esses pássaros multicoloridos voem cada vez mais alto.

Danilo Castro
27/02/2012

Serviço] O Pássaro Azul vai estar em cartaz aos sábados e domingos do mês de março, no Teatro Dragão do Mar, sempre às 17h. O ingresso é R$10 e R$20. Crianças até três anos não pagam e crianças acima de três anos, mesmo sem carteira estudantil, pagam meia.

Visite o site do grupo Pavilhão da Magnólia

Veja o traller do espetáculo!



Foto: Fada Berylune (Jéssica Teixeira) em O Pássaro Azul

Um comentário:

Felipe Sales disse...

Assisti o espetáculo do Pavilhão e gostei bastante! Mas em alguns momentos fica muito escuro mesmo. O grupo está de parabéns! Vou levar meus sobrinhos!