sábado, 11 de fevereiro de 2012

A secura labiríntica da Separação

Peyman Moaadi em A Separação
É um filme seco. Sem pompas poéticas, efeitos especiais, música. Em A Separação, Asghar Farhadi (roteirista, produtor e diretor do filme) trabalha a essência de uma dramaturgia daquelas que vão fisgando a cada minuto e quando as coisas parecem impossíveis, mais nós são propostos dentro de uma trama humana e cotidiana. A câmera solta e os diálogos mal acabados reforçam a simplicidade proposta. Não sabemos o que houve na vida do casal iraniano Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moaadi) para culminar naquilo, nem saberemos qual será o seu destino. É uma história comum, eivada de mentiras, verdades, desconfianças, desilusões, segredos e fé. Mas é uma rasteira para quem espera uma discussão centrada na vida de um casal. A profundidade que os temas alcançam envolvem diversos outros personagens, que tornam o enredo cada vez mais labiríntico. A Separação não é lá, nem cá. É quase, é o momento inexato em que duas partes se descolam. O filme é opaco, mas aí mora seu brilho. É um recorte entre dois mundos, habita algum lugar entre a união e a distância de dois seres.

Danilo Castro
12/02/2012 

Fique por dentro] Dentre as premiações que o longa recebeu, destacam-se as do festival de Berlin 2011. Urso de prata de melhor atriz (Sarina Farhadi, Sareh Bayat, Leila Hatami), Urso de Prata de melhor ator (Shahab Hosseini, Peyman Moadi, Asghar Farhadi), Urso de Ouro para Asghar Farhadi. Separação foi o primeiro filme da história a ganhar três Ursos no Festival de Berlim.

Veja o traller do filme:

2 comentários:

Felipe Tavares disse...

Pelo que percebi no trailer, "A separação" aborda valores universais, e não se prende as questões mulçumanas, que era justamente o que eu imaginava que iria acontecer.

Já vai pra lista de filmes que vou ver no Carnaval!

Danilo Castro disse...

É por aí, Tavares. Acho que eu gosto de uma boa história mais que bons efeitos especiais, poesia e cores.