quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres que se desvendam em alma

No dia internacional da mulher estreia o espetáculo Fulanas, da Tear Cia. de Teatro, que revela as diversas nuances do íntimo feminino

Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO
danilocastro@opovo.com.br

Longe de estereótipos, o universo da mulher é diferente do universo feminino. Aquele se mostra muito mais amplo que este. Isso porque em toda mulher existem também traços masculinos, bem como em todo homem há traços femininos. Afora as simples oposições de gênero, é dentro desse lugar difuso e íntimo que as atrizes Leir Pontes, Juliana Carvalho e Fran Bernardino mergulham em profundidade. Elas mesclam suas histórias às de Ricardo Guilherme, autor do espetáculo Fulanas, da Tear Cia. de Teatro, que estreia hoje no Theatro José de Alencar. 

Será possível um homem falar tão bem da alma de uma mulher? Foi quase um ano de processo entre ensaios e pesquisas a partir do texto de Ricardo. Juliana, que também dirige o trabalho, conta que a relação com o autor foi bem próxima, aberta, e que ele possui sensibilidade para tratar o tema. Ainda assim, foi preciso que as atrizes se entranhassem ao texto. “Tem algumas coisas que são mais masculinas e a gente percebe os lapsos de um homem que fala de uma mulher, fala dela de fora. A gente teve que contrapor a partir das nossas experiências”, revela.

O trabalho ganhou corpo. Com essa abertura, as histórias das três atrizes, que interpretam a mesma personagem, misturaram-se às histórias do espetáculo. Fran, 23, a mais nova do elenco, conta que o desafio maior foi encontrar essa mulher de 50 anos dentro das suas experiências. “Eu até me questionei quando fui convidada. Como assim fazer uma mulher de 50 anos? Mas quando você interpreta uma personagem, você faz qualquer idade”, conta. Fran buscou inspiração na própria mãe. “Eu quis saber como ela encara a vida, pois já se foi boa parte, mas ainda não acabou”.

A atriz Leir explica que a alma da mulher é múltipla, feita de vários fluxos de pensamento, por isso o trabalho foge de estereótipos. Sua contribuição trouxe novos olhares à obra. “Quando eu paro para pensar, eu nunca me imaginei como mulher, sempre me pensei como ser humano”, por isso o trabalho aos poucos revela traços de uma “mulher que também se encontra masculina”, disse.

O espetáculo não é linear, possui uma concepção “extracotidiana” revelada no cenário, na música de Ivan Timbó e nas interpretações, como explica a diretora. A história é ambientada em um lugar, que pode ser vários, dependendo do olhar criativo do apreciador. Com figurinos de Yuri Yamamoto, iluminação de Walter Façanha e cenário de Aline Albuquerque, Fulanas pretende expor histórias singulares. Mas que podem permear a vida de qualquer um.

Serviço
Fulanas
Quando: Dias 8, 9 e 10 de março às 20h. Dia 11, às 18hOnde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 -Centro)

Quando: Dias 15, 22 e 29 de março às 20h
Onde: Teatro Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90c, Praia de Iracema) Quanto: R$ 12 (inteira) R$ 6 (meia)
Outras info.: (85) 9621 9700

Fonte: Vida & Arte - Jornal O POVO (08/03/2012)

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