domingo, 22 de abril de 2012

A dupla oxigenada do trio



Oito prótons e oito elétrons numa massa atômica de 16u, que, em estado natural é incolor, em estado sólido ou líquido é azul, compõem o elemento. É um dos mais importantes na química orgânica, participando do ciclo essencial de respiração dos seres vivos. Tido como um dos mais aguardados espetáculos da mostra Sesc Palco Giratório, o intenso Oxigênio, da Cia. Brasileira de Teatro roubou sim o fôlego de muita gente, mas em mim, algumas partículas gasosas continuaram preenchendo o cérebro. 

Em novembro de 2011, o grupo trouxe à Fortaleza o espetáculo Vida!, caoticamente imagético e superabundante. Ao contrário da outra montagem, Oxigênio tem foco no discurso que entrecruza vários temas e críticas sociais. Com texto multitemático do dramaturgo Ivan Viripaev, nascido na Sibéria e inédito no Brasil, o grupo põe-se a falar infindamente. Mas, apesar do excesso verbal, isso não se dá de maneira verborrágica, pois as palavras ganham volume, cores e musicalidade. É um jogo onde texto vira imagem através dos sons e codificações linguísticas.

São três figuras, duas delas põe-se metalinguisticamente como atores em cena. A terceira peça do trio cênico acaba tornando-se um apoio, um suporte musical. Mas, porque não potencializar ainda mais as duas figuras discursivas (Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan) com essa força musical que a terceira e calada peça (Gabriel Schwartz) carrega consigo e, ao mesmo tempo, dar voz discursiva ao que não fala? Isso acaba fazendo o musicman destoar do todo na direção cheia de surpresas de Márcio Abreu, que  absurdamente nos lança uma nevoada, um show de rock, um desfile de moda, dentre outros toques insanos e assumidamente injustificáveis, mas conectados e essenciais nas suas desconexões. 

Danilo Castro
22/04/2012 

Serviço] A mostra Palco Giratório segue até dia 30/04 com programação local e nacional a preços populares: R$ 5 e R$ 10. 


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