sábado, 26 de maio de 2012

Conflitos familiares em cena


















Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO


As relações dentro do teatro contemporâneo ganham cada vez mais um caráter colaborativo, onde as convenções hierárquicas entre autor, diretor e atores misturam-se cada vez mais. Nesse teatro das montagens de grupo, todos contribuem com a mesma potência criativa, trazendo olhares diversos sobre a construção cênica. É assim no trabalho Ninguém falou que seria fácil, do recente grupo carioca Foguetes Maravilha, que se apresenta hoje e amanhã no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. A trama mistura histórias de gerações familiares que se entrecruzam nos seus dilemas.

Não há família perfeita, nem mesmo aquelas se mostram mais felizes. Há sempre pontos de choques, intrigas que levam as relações a limiares tênues. Pendendo para cenas cômicas, o diretor Alex Cassal reconhece que o trabalho provoca muitas gargalhadas na plateia, mas faz questão de frisar que o trabalho não é uma comédia boba. “Se formos rotular com uma palavra, é uma comédia, mas tem momentos dramáticos. Na cena da morte de um personagem, todo mundo ri. É uma ambiguidade, tragédia que logo pode virar uma comédia rasgada”, explica.


Brincando com os clichês do teatro na feitura das cenas e distribuição de personagens, o diretor explica que o espetáculo está sempre se descobrindo. “São discussões às vezes intermináveis. Temos três atores participativos, eles não fazem só o que mandam, questionam, propõem coisas. O texto é muito atravessado por contribuições dos atores e ainda hoje é um trabalho que a gente segue se perguntando sobre ele”, revela o diretor, que também orienta as cenas dos atores Renato Linhares e Stella Rabello.

O trabalho, que estreou no início do ano passado, vem sendo muito bem aclamado pelos críticos. Bárbara Eliodora, crítica teatral, disse que o trabalho é “um exemplo da nova dramaturgia”, assinada por Felipe Rocha, que também faz parte do elenco e assina a co-direção do trabalho. Alex explica que o dramaturgo escreveu o texto e o deixou incompleto, para que os atores, a partir de suas experiências e relações familiares, completassem as histórias que cruzam tempos e gerações. “A gente tem uma base de lançamento, improvisa em cima e segue desenvolvendo”, conta o diretor.

O grupo esteve em Fortaleza em 2010 na mostra Palco Giratório, mas com o solo Ele precisa começar, escrito também por Felipe. O espetáculo de hoje foi vencedor da melhor dramaturgia no Prêmio Shell, além de ter sido premiado, também pelo texto, na revista Questão de Crítica e pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro. 

SERVIÇO

Ninguém falou que seria fácil
Quando: Hoje, 26, e amanhã, 27 às 20h.
Onde: Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av Duque de Caxias, 1701)
Quanto: R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira)
Outras informações: 34529090

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