sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dançando por nada além da dança


Para subverter lógicas entre quem dança e quem assiste, o espetáculo Swingnificado se apresenta nesse final de semana no Sesc Senac Iracema
















Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO

O corpo é comunicação. Mas comunicação de quê? A dança, através da fluidez, delicadeza ou agressividade dos seus movimentos pode dizer bem mais do que podemos imaginar. Mas a dança serve para contar uma história? Sim e não. Atordoando a percepção comum, brincando com significantes e significados que o corpo pode exalar, o coletivo curitibano Entretantas Conexão em Dança se apresenta sábado e domingo no Sesc Senac Iracema com o espetáculo Swingnificado.

“O que significa isso?”. Essa é uma pergunta comum entre o público de espetáculos contemporâneos, como se a cada proposta cênica, fosse impreterivelmente necessário haver um significado ilustrativo, que conte um enredo. “Não temos narrativa, não temos um drama e às vezes as pessoas vão assistir para buscar essas respostas”, conta a bailarina Mábile Borsatto, que compõe o espetáculo.

O grupo, que está unido desde 2005 e possui cinco espetáculos no currículo, trabalha de maneira colaborativa. Três bailarinos assinam o trabalho igualmente e a obra vai se modificando de acordo com cada público que participa das apresentações. São experiências múltiplas transformadas em dança. “A gente está tentando trabalhar compartilhando tudo. Todo mundo cria, interpreta, faz produção”, revela Mábile.

Gládis Tridapalli explica que o espetáculo é vivenciado junto ao público, que não é apenas um espectador, mas um copartícipe. Quem for à arena cênica neste final de semana poderá entrar livremente num jogo onde é possível interferir na obra diretamente, propondo movimentos aos artistas. “A partir dessa movimentação, a gente tem a tarefa de ampliar esses movimentos. Cada cidade tem um contexto e a gente pode experimentar esse contexto”, explica.

A estética do trabalho é simples, não há grandes recursos cenográficos ou indumentárias. O foco está na performance. Para o bailarino Ronie Rodrigues, o espetáculo coloca os artistas em uma situação de risco e imprevisibilidade e é justamente isso que aproxima o público da encenação. “É sempre difícil porque a gente nunca sabe o que vão nos apresentar como movimento, de qualquer forma a gente tem estudo pra criar estratégias pra improvisar. É um desafio, difícil e prazeroso”, revela.

Compartilhando dança

Com intuito de se aproximar mais do seu público, o coletivo também oferecerá uma oficina prática sobre seus processos. A ideia é trabalhar para bailarinos e não-bailarinos, trocando experiências através da dança. A oficina é gratuita, mediante inscrição prévia, e acontecerá no domingo, 27, à tarde, também no Sesc Senac Iracema. “É um lugar muito bom. A gente se contamina com as pessoas que dançam com a gente”, conta Gládis. 

Outra atividade importante com a passagem do Entretantas em Fortaleza, é a participação das bailarinas no II Seminário Dança Teatro Educação, promovido pelos cursos de Dança e de Teatro, do Instituto de Cultura e Arte (ICA/UFC). Na ocasião, elas apresentam o trabalho artístico-acadêmico Entrenósoutros, que diz respeito a um projeto de extensão, de mesmo nome, da Faculdade de Artes do Paraná.

SERVIÇO

Swingnificado
Quando: neste sábado e domingo, às 20 horas
Onde: Teatro Sesc Senac Iracema (rua Boris, 90 - Praia de Iracema)
Quanto: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Outras informações: 3252 2215 e 3452 1242.

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