sexta-feira, 8 de junho de 2012

Holliúdy de ruma no Cine Ceará


O longa-metragem Cine Holliúdy, de Halder Gomes, tem sua estreia hoje na 22ª segunda edição do Cine Ceará, que promete encerrar sob as gargalhadas do bom humor cearense















Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO

Depois de uma semana de festival, o 22º Cine Ceará encerra hoje suas atividades. Um dos filmes mais esperados é o Cine Holliúdy, dirigido por Halder Gomes. O longa, que mal saiu do forno, tem estreia logo mais no Theatro José de Alencar (TJA). Diante de tantos festivais de cinema pelo mundo, a vontade do diretor de exibir seu xodó primeiramente em Fortaleza deu cero. Não havia hora melhor para que o público cearense conhecesse a sua obra, que é uma ode ao cinema e cultura local.

A trama conta as peripécias de um rapaz que faz de tudo para que o cinema da sua pacata cidade não morra. Isso porque a chegada em massa da televisão no Interior, na década de 1970, colocou em risco as poucas salas de cinema existentes. Mas, movido pelo seu amor incondicional pela sétima arte, o jovem herói resolve lutar destemido contra esse mal, utilizando armas potentes da cultura local: a criatividade e o bom humor. “Somos um povo engraçado por natureza. Não temos limites para as brincadeiras, a gente é livre pra tirar onda com tudo”, comenta o diretor.

Tudo começou com o curta Cine Holliúdy – o astista contra o caba do mal (2001), que foi sua estreia como diretor. O curta participou de vários festivais e recebeu prêmios como o de Melhor Filme e Melhor Direção de Arte no Festival Mercosul (2005) e Melhor Roteiro no Festival Latino-Americano de Curtas de Canoa (2005). Outros festivais foram surgindo e o trabalho foi sendo cada vez mais bem recebido pelo público e pela crítica.

Certa vez, em um festival no Rio de Janeiro, a jornalista e comentarista de cinema Ana Maria Bahiana disse que ele tinha um excelente mote nas mãos e que deveria fazer um longa. “Aquilo pra mim foi um incentivo, ela comenta o Oscar, tem vários livros publicados. Então fiz o roteiro e oito anos depois o filme ficou pronto”, lembra o diretor, que venceu o edital o Longa-Metragem de Baixo Orçamento do Ministério da Cultura (MinC) de 2009, custeando a produção com R$ 1 milhão.

Halder, que começou a sua carreira no cinema como dublê em filmes de artes marciais em Los Angeles, na década de 1990, assina sua quarta direção de longa-metragem. Filmes como No Calor da Terra do Sol (2004) e As Mães de Chico Xavier (2010) estão no seu currículo, que também conta com a produção de trabalhos como Área Q (2012). O diretor confessa que essa semana o filme ainda estava passando pelos últimos ajustes e comemora por poder estrear em sua terra natal. “É muito raro a gente conseguir ter um filme para estar no festival na hora certa. Foi um alinhamento de planetas. É uma prestação de contas com o cearense”, revela.

O ator cineasta

Uma das revelações é o cearense Edmilson Filho, que vive as peripécias do personagem herói Francisgleydisson. O ator, que divide sua vida entre o profissionalismo nas artes maciais, prestando consultoria em academias, e nas artes dramáticas, começou se apresentando em um festival de humor no Shopping Aldeota, em 1993. Hoje, ele estuda cinema na Scott College Film School, no Arizona. “A faculdade forma cineastas, mas estou sempre participando de workshops como ator. Nos Estados Unidos, me dedico full time a estudar cinema. Já atuei em dois curtas por lá, em inglês”, frisa o ator.

Edmilson, que conhece Halder há 20 anos e pretende daqui para frente estar cada vez mais inserido no mundo do cinema, não esconde a gratidão ao diretor por tê-lhe dado essa história como o presente mais importante da sua carreira de ator. “Esse personagem foi feito para mim. Ele disse que nenhum outro ator poderia fazê-lo. Foi um casamento perfeito, ele trabalhava com improviso pro meu personagem crescer”, revela.

O filme, que promete provocar boas gargalhadas hoje à noite, possui legendas em alguns momentos que traduzem o “cearencês”. “A gente fala muito rápido e não articula muito a boca para mostrar uma leitura labial melhor”, justifica o diretor. O longa traz no elenco humoristas cearenses como Falcão e Bolachinha, além de atores como Miriam Freeland, Fiorella Mattheis, Roberto Bomtempo, Ary Sherlock, Jorge Ritchie, Jesuíta Barbosa, dentre outros.

SERVIÇO

Cine Holliúdy
Onde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525)
Quando: 8 de junho, às 20h
Entrada franca
Outras info: (85) 3264 3877

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