quinta-feira, 19 de julho de 2012

Uma celebração do eterno retorno

O grupo Teatro Mimo segue em temporada com o espetáculo Sakura Matsuri: o jardim das cerejeiras, no Teatro Sesc Senac Iracema. Uma celebração do eterno retorno da vida em gestos e danças


















Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO

Quando a cor vibrante das cerejeiras vai dando lugar ao marrom e à secura natural do tempo, é sinal de que o fim está próximo. Ainda assim, também é sinal de que boas novas virão em breve. As nuances da vida nunca caminham em linha reta. A natureza é cíclica e o homem faz parte dessa constante renovação. Misturando referências orientais, ocidentais e regionais acerca desse eterno retorno, o grupo Teatro Mimo montou o espetáculo Sakura Matsuri: o jardim das cerejeiras, que segue em temporada no teatro Sesc Senac Iracema.

A pesquisa para o espetáculo começou com uma esquete que já passou por alguns festivais em Fortaleza, depois foi se encorpando, apresentou-se no II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em Florianópolis, depois na mostra Zona de Transição, do Theatro José de Alencar, e agora ganha os palcos do Teatro Sesc Senac Iracema durante as quintas-feiras deste mês. Esteticamente, há uma ligação direta com o butoh, dança tradicional japonesa. “São corpos pintados de branco, com dilatação das expressões, corpos dramáticos e energéticos”, explica o diretor Tomaz de Aquino.

Referências

Composto pelos quadros “A criação do mundo”, “A travessia” e “O jardim de cerejeiras”, o espetáculo inspira-se destemido em referências diversas. A obra homônima do dramaturgo russo Anton Tchekhov é um dos motes. “A gente pega a questão da globalização, desse homem que está sempre querendo ser mais, ao mesmo tempo em que perde os encontros, o contato com o outro. Isso vem da ganância, de querer passar por cima das pessoas”, comenta o diretor.

A jornada dos personagens nômades é contada através de imagens formadas por atores-bailarinos que compõem quadros poéticos com o próprio corpo. Tudo isso faz parte de um grande ciclo que remete à metáfora da vida. Segundo o diretor, as idas e vindas dos homens, nas alegrias e tristezas, ganhos e perdas, vida e morte, norteiam o espetáculo. Ao mesmo tempo em que o mundo é repleto de transições e efemeridades, as permanências também se fazem presentes.

Essa trajetória contada pelo trabalho do grupo, de acordo com Tomaz, também pode ser uma releitura da própria jornada do homem sertanejo, calejado, queimado de sol, sujo de terra seca, mas sempre desbravador, que nunca se dá por vencido. “Esse homem da seca, que vive em eterno êxodo, que sempre quer buscar alguma coisa, existe no espetáculo. Isso é nosso, é regional. É possível essa releitura do butoh, que é uma dança pessoal, tem várias ramificações. Sempre há esperança depois de uma catástrofe. Se um homem consegue se levantar, toda a humanidade consegue se levantar com ele”, finaliza Tomaz.

O espetáculo foi convidado para se apresentar na I Bienal de Teatro Físico de Goiânia, no próximo mês e na V Mostra de Mímica Contemporânea de São Paulo, que acontece em setembro de 2013.

Saiba mais 

O Teatro Mimo surgiu em 2003 no curso de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) com foco no estudo da mímica e do teatro físico. Além do espetáculo de hoje, o grupo tem no repertório os trabalhos As Lavadeiras, O Enlatado e Varre Varre.

SERVIÇO 

Espetáculo Sakura Matsuri
Quando: Hoje, 19, e 26, às 20h
Onde: Teatro Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira)
Outras informações: 3252 2215


Fonte: Vida & Arte - Jornal O POVO (19/07/2012)

Um comentário:

Felipe Sales disse...

Excelente matéria!!!! Quero muito assistir!