sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Encontro da história viva do teatro cearense

Pela primeira vez, Antonieta Noronha e Ary Sherlock compartilham o palco juntos no espetáculo Na Corda Bamba, que estreia amanhã no Teatro Dragão do Mar






Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO

Com o tempo, surge o peso da idade. Na medida em que as experiências de vida vão enobrecendo a alma, as limitações físicas começam a se impor. Antonieta Noronha, 85, e Ary Sherlock, 81, são os atores mais antigos em plena atividade no Estado. Eles querem mostrar que ainda têm gás para fazer o que mais lhes dá prazer: estar em cena. O espetáculo que os uniu é Na Corda Bamba, que se apresenta amanhã na Mostra Memória do VIII Festival de Teatro de Fortaleza. Os dois atuando juntos em um espetáculo é fato inédito.

Eles se conheceram há longas datas, ainda nos tempos de teledramaturgia da TV Ceará. Foram acompanhando as carreiras um do outro, mas só em 2012 se reencontram em cena novamente. “Estamos unindo nossas idades nesse espetáculo. Ary é um excelente ator, esperamos ser bem aceitos”, anseia Antonieta, que não esconde a felicidade de retornar aos palcos. Ary tem a explicação para não largar sua labuta. “Teatro é um prazer que se renova. Ele nasceu em mim e nunca morreu, é insubstituível”, afirma convicto.

A trama de Aldo Marcozzi, autor do espetáculo, conta a história de dois jovens interpretados por João Antônio e Sidney Malveira, que não sabem o que fazer com seus entes mais velhos. Um dos rapazes recebe proposta de estudos na Europa, o outro quer ganhar a vida viajando com um circo. O casal de idosos fica na corda bamba, à mercê de um destino incerto. “É um mal da sociedade. Parece que o idoso é descartável, como se não tivesse mais nada a contribuir”, critica Sidney, que também está fazendo a supervisão da peça.

O último trabalho da atriz foi o solo Um minuto de silêncio, de 2004, que inaugurou o teatro que carrega seu nome. “Ela estava abatida, hoje a gente nota a evolução. Ela achava que ia ficar no esquecimento. Agora se sente mais viva, presente, capaz”, revela Sidney. O ator já encara a terceira idade como uma identidade de sua pesquisa. Há seis anos, ele encena Anônimos, criado a partir de depoimentos de idosos moradores do Lar Torres de Melo.

Ary soma 60 anos de carreira, Antonieta, 48. De acordo com o diretor Allan Duvale, com a problemática proposta, o objetivo é mostrar que há sim vivacidade na velhice e que eles podem estar em atividade, mas sem pieguismos. “Não estamos dizendo que só há o lado bom em envelhecer, mas que vale a pena viver em qualquer idade. As gerações precisam saber que não são diferentes, os tempos é que são e gente precisa sabe congregar isso”, conclui.

O trabalho é mesmo um encontro de gerações, uma celebração da vida, e o diretor relata o prazer de dirigir dois grandes nomes do teatro no Ceará. “Eles já sabem o que fazer, estão disponíveis para meus conselhos. Sou um diretor que está começando”.

SERVIÇO

O que: Espetáculo Na Corda Bamba
Quando: amanhã, às 20 horas 
Onde: Teatro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
Entrada franca
Outras informações: 3081 2757.

2 comentários:

Gorette Castro disse...

Já assisti muitos espetáculos com Ary Sherlock, faz tempo que não escuto nada sobre ele, achei até que já tinha deixado de fazer teatro.

Tomaz de Aquino disse...

Que nada o seu Ari ainda esta na ativa, no cinema e no teatro. ô homem lindo