quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O micróbio de Adriana


Depois de passar por 10 países e várias cidades brasileiras, chegou a vez de Adriana Calcanhotto apresentar O Micróbio do Samba em Fortaleza. O show, que acontece nos dias 30 e 31, é o primeiro espetáculo da recém-inaugurada Caixa Cultural

Danilo Castro
Yuri Tavares

Dos papos descontraídos entre amigos-músicos, impossível não brotar aquilo que os une: a paixão pelos sons. Foi assim, bem por acaso, que Adriana Calcanhotto foi inventando sambas ao lado de Domenico Lancellotti e Alberto Continentino ao longo de quatro anos. Aquilo que era apenas músicas informais, brincadeiras improvisadas de sambistas, foi ganhando corpo até que a obra não coube mais em si: precisou ganhar o mundo. Virou O Micróbio do Samba, disco e show - que Adriana Calcanhoto traz para Fortaleza pela primeira vez, amanhã e sexta-feira, no Teatro da Caixa Cultural.

Lançado em março de 2011, em CD e vinil, o disco se transformou um ano depois em um espetáculo que estreou em terras estrangeiras. Nos próximos dias, os fãs da cantora em Fortaleza vão poder se “infectar” por esse micróbio concebido por Adriana. O novo trabalho, mesmo tão mergulhado nas raízes brasileiras, foi ganhando visibilidade internacional. Após passagem pela Itália, diversas cidades em Portugal, Suíça, Alemanha, Chile, Grécia, Argentina, Países Baixos, Japão e Eslovênia puderam conhecer mais essa faceta da cantora.

Não é de hoje que Adriana evidencia o samba na sua carreira. No disco Enguiço (1990), seu álbum de estreia, ela gravou sucessos como “Disseram que voltei americanizada”, de Luiz Peixoto e Vicente Paiva , eternizada na voz de Carmem Miranda; e “Orgulho de um sambista” de Gilson de Souza. Dessa vez, a diferença é que dedicou um álbum inteiro ao chamado “samba de raiz”, como nunca havia feito antes. Ainda assim, não deixou de dar seu olhar peculiar ao gênero.

A amizade e parceria com os músicos é antiga. Lancellotti (bateria) já trabalhou com Adriana nos seus projetos infantis Adriana Partimpim (2004) e Partimpim Dois (2009). Nessa época, ela foi se permitindo descobrir musicalidade em objetos inusitados. Isso também é refletido no micróbio. No show de logo mais, por exemplo, até um secador de cabelos é utilizado como instrumento. Essa liberdade foi o que levou a cantora a se debruçar sobre o gênero. A partir de referências de um repertório “mais antigo”, anterior à Bossa Nova, foram surgindo também os novos sons.

Violonista

Quando estava quase tudo pronto para a estreia do show, Adriana teve que se desdobrar diante de um imprevisto. “Foi quando tive de encarar o fato de que não poderia tocar violão, instrumento no qual compus e gravei todo o CD, por causa de uma lesão no punho direito. Como é que justamente neste show, neste disco escrito e gravado no violão, não vou tocar violão?”, revelou a cantora em nota no seu site. Foi então que o músico Davi Moraes (violão) juntou-se ao projeto. “Davi havia sido o último a gravar no CD, o som dele ainda estava fresco nos nossos ouvidos, foi a escolha mais natural e desejada para o posto”, lembra. 

Foram muitas viagens em pouquíssimo tempo. No Brasil, as cidades de Natal, Salvador, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo já conheceram o micróbio de Adriana. Entre as músicas do novo repertório, “Tão chic”, “Deixa Gueixa” e “Mais perfumado” são algumas das composições assinadas por Adriana. A última rendeu-lhe esse ano uma indicação ao Grammy de Melhor Canção de Língua Portuguesa.

Caixa Cultural recebe primeiros espetáculos  

As duas apresentações de Adriana Calcanhotto por aqui marcam a estreia da Caixa Cultural de Fortaleza na recepção de espetáculos músico-teatrais em seu espaço. Esta possivelmente será a primeira oportunidade para muitos conhecerem de perto a estrutura recém-inaugurada. Antes disso, a programação do centro vinha abrigando a exposição Um nome no centro da coleção – Aldemir Martins e o acervo da Caixa, com obras do cearense Aldemir Martins. “Ainda não engatamos efetivamente a programação de espetáculos. É natural, afinal nós inauguramos o centro no 1º de junho. Somos recém-nascidos. Nosso objetivo é movimentar mesmo, não aportamos aqui para não investir”, explica Celmar Batista, gerente da Caixa Cultural de Fortaleza.

Para uma atração do porte de Adriana Calcanhotto, detalhe que também chama a atenção é o valor dos ingressos – R$20 a inteira e R$10 a meia. “A Caixa Cultural patrocina esses espetáculos. O objetivo aqui não é pagar a apresentação em cima do valor da entrada, mas incentivar público, artistas e a cultura brasileira”, completa Celmar.

Para o futuro próximo, a Caixa Cultural de Fortaleza já possui novas atrações agendadas: no dia 11 do próximo mês, o centro recebe exposição de Roberto Burle Marx, com gravuras do renomado artista plástico e arquiteto-paisagista. Além dela, sem querer revelar mais detalhes, Batista afirmou que fechará no fim desta semana novos espetáculos de música e teatro, um deles internacional. Como o edital de ocupação de todas as unidades da Caixa Cultural são lançados anualmente (o resultado sai em novembro),vale lembrar que Fortaleza só entra na pauta oficial em 2013. (DC e YT)

SERVIÇO

Show da Adriana Calcanhotto
Onde: Teatro da Caixa Cultural de Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
Quando: Amanhã e sexta, 30 e 31 de agosto, às 20h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Outras informações: 3453 2750 
A venda dos ingressos começa hoje, a partir das 14h, na bilheteria do Teatro da Caixa Cultural. O ambiente possui 190 lugares, incluindo cadeirantes.

Fonte: Vida & Arte - Jornal - O POVO (29/08/2012)

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