sábado, 4 de agosto de 2012

Um festival, vários teatros

A oitava edição do Festival de Teatro de Fortaleza insere a Capital cearense numa rede colaborativa que quer pensar (e operar) o teatro para além das distâncias entre grupos e cidades

Holoclownstro, da Troupp Pas d'Argent
Danilo Castro - ESPECIAL PARA O POVO

Com o tema “Teatro em Movimento”, começa hoje a oitava edição Festival de Teatro de Fortaleza (FTF), que segue até dia 11 com atrações gratuitas no Centro, Messejana, Mucuripe, Praia de Iracema, João XXIII, Bom Jardim, Barra do Ceará, Bairro de Fátima e Dias Macedo. Espetáculos locais e de outros estados estão na programação, além de shows, oficinas e seminários. O evento é encabeçado pelo movimento organizado de teatro e pela Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

Às 9h, um cortejo parte do Theatro José de Alencar (TJA) pelas ruas do Centro. Às 20h, também no TJA, a abertura do festival fica por conta do espetáculo paulista Eldorado, solo de Eduardo Okamoto. A trama, repleta de musicalidade popular, é contada através da sensibilidade de um homem cego, que recria a realidade através de sua imaginação. Depois da apresentação, a noite segue com show do músico Marcus Caffé. Nos dias seguintes, Gigi Castro, Marta Aurélia, Fátima Santos e outros artistas também cantam celebrando o teatro.

Ao todo, 27 espetáculos compõem as Mostras Comunidade, Teatro de Rua, Teatro de Bonecos e Repertório. Além do TJA, as apresentações acontecem no Teatro Sesc Iracema, Teatro Marcus Miranda do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), Teatro Universitário, Teatro Antonieta Noronha, Casa da Esquina, Cuca Che Guevara, diversas praças e outros espaços públicos. “Isso é para democratizar o acesso aos espetáculos e fomentar grupos de teatro dos bairros, incentivando a população a conhecer e valorizar o teatro cearense”, diz Herê Aquino, membro da organização do festival.

Para as crianças, espetáculos como João Botão, do Teatro Máquina; Peter Pan, da Comédia Cearense; O Pássaro Azul, do Pavilhão da Magnólia; e Quem tem medo do escuro, do Coletivo Cambada, estão na programação. Outros espetáculos da cena local que também se apresentam durante a mostra são Engenharia Erótica, do grupo As Travestidas; O que mata é o costume, do Nóis de Teatro; Plastic Wood, do Coletivo Marteladores; Jardim das Espécies, do Grupo Em Foco; e Majestic Bar, do grupo Majestic.

Rede
Mesmo com foco na produção local, a ideia do FTF deste ano é pensar o teatro como uma grande rede colaborativa, contemplando uma pluralidade maior de propostas entre as apresentações. É o que afirma Leandro Guimarães, que também faz parte da coordenação da mostra: “Como a gente tem uma deficiência orçamentaria, a ideia é dialogar com coletivos e grupos nacionais, fazendo com que esse festival ganhe amplitude. Tudo é pensado com a ideia de teatro em rede”, afirma.

São seis atrações vindas de São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Paraíba. “A gente quer fortalecer a produção local, mas também temos outro objetivo: inserir o FTF no circuito dos grandes festivais do Brasil”, vislumbra. O espetáculo O Deus da Fortuna, do coletivo paraibano Teatro Alfenin se apresenta próxima quinta, 9, no Sesc Iracema. O grupo discute o capitalismo de forma cômica a partir de um mote brechtiano. Outra atração bastante aguardada é o espetáculo carioca Holoclownstro, da Troupp Pas d’Argent. O grupo brinca com a figura patética do clown inserido no horror de uma guerra mundial.

Teatro e Memória

Quando as rosas amarelas se tornam marons
Nesta edição, o FTF presta homenagem àqueles que são parte da história do teatro cearense. Um deles é o ator e diretor Walden Luiz, que, em 2012, celebra os seus 50 anos de teatro ao lado da coralista Mazé Figueiredo com o espetáculo Quando as Rosas Amarelas se Tornam Marrons, que faz parte da Mostra Memória.

O espetáculo Na corda Bamba traz Antonieta Noronha,75, à cena após oito anos afastada dos palcos. A atriz, conhecida carinhosamente por “dama do teatro cearense”, comemora 48 anos de carreira, retornando à cena ao lado do veterano Ary Sherlock, 81, que já soma 59 anos de teatro. O trabalho conta a história de dois grandes artistas que vivem confinados em um apartamento à procura da liberdade. “Eles ainda têm muita energia, vontade de trabalhar. Ary e Antonieta juntos é inédito. Placas e troféus eles recebem muito, mas o que eles mais querem estar no palco atuando”, diz Sidney Malveira, ator e supervisor do espetáculo.

No solo Uma atriz sem memória, Jane Azeredo, comemora 51 anos de carreira, revivendo os grandes personagens de sua trajetória para encontrar o mais profundo de si mesma. “Isso é para reconhecer quem manteve o teatro antes de nós. É importante para as gerações novas. Nem todo mundo chega a 50 anos de teatro. Vivemos em um lugar onde o ator não é valorizado, acaba sendo um percurso que muita gente abandona”, afirma Leandro Guimarães. (DC)

Saiba mais 

Oficinas
Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME), artistas que vão participar das mostras mesclam teatro e educação em oficinas para crianças e seus educadores. Para quem quiser aprender mais sobre a teoria e a prática teatral, de 6 a 10 de agosto, acontecerão oficinas livres. A atriz paulista Síl via Leblon ministrará aulas voltadas para a palhaçaria.

Já o ator cearense Henrique Bezerra facilita a oficina Jogo, Tensão e Improviso. Dia 10, acontece o seminário Cidade e Dramaturgia, ministrado pelo catarinense André Carreira. Dia 11, o tema das discussões é Direção Teatral, onde o diretor argentino Guillermo Cacace discute o processo criativo na construção de um espetáculo. Para participar, é preciso se inscrever previamente no site do festival.

Multimídia

Veja a programação completa no site: www.festivaldeteatrofortaleza.com.br 

SERVIÇO 

Festival de Teatro de Fortaleza
Quando: 4 a 11 de outubro
Programação Gratuita
Outras informações: 3081 2757


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