domingo, 24 de março de 2013

Sangue que escorre cômico

PRESTES A COMPLETAR 50 ANOS, o cineasta norte-americano Quentin Tarantino é um dos expoentes do cinema mundial contemporâneo, pela ousadia de roteiros inusitados, provocativos e tragicômicos. O Vida & Arte mergulha na trajetória deste diretor

Recorte da capa da versão impressa do caderno especial sobre Tarantino.

Danilo Castro
ESPECIAL PARA O POVO

O mundo arregalou os olhos para Quentin Tarantino, quase no início de sua terceira década de vida. O diretor, roteirista e ator norte-americano ganhou destaque após o lançamento do independente Cães de Aluguel (1992), que deu início a uma marca pouco explorada por outros cineastas. A estética do diretor, eivada de sangue, violência, sarcasmo que beira o nonsense - em roteiros nada lineares - foi alvo de polêmica e fascínio entre críticos e espectadores no decorrer dos anos.

Prestes a completar 50 anos no próximo dia 27, o Vida & Arte Cultura mergulha na trajetória pessoal e na obra do cineasta, que imprimiu sua identidade tão fortemente em seus filmes. Filho do ator e músico Tony Tarantino e de Connie McHugh, Quentin nasceu em Knoxville, no estado de Tenneessee, nos Estados Unidos. A mãe tinha apenas 16 anos, quando ele veio ao mundo fruto de uma relação não planejada, tanto que Connie casou-se em seguida com o músico Curt Zastoupil, na Califórnia.

Antes de se tornar conhecido como roteirista e diretor, Tarantino investia na carreira de ator. Ele iniciou seus trabalhos fazendo pontas em diversos filmes, quando decidiu ingressar no Curso de Direção do Sundance Institute. Chegou a atuar em séries de TV e a escrever roteiros que, poucos anos depois, se tornaram sucessos em Hollywood, como os de Amor à Queima-Roupa (1993), de Tony Scott, e Assassinos por Natureza (1994), de Oliver Stone.

Apesar do grande reconhecimento como diretor e roteirista das tramas de ultraviolência cômica, a veia de ator nunca o deixou, tanto que é comum vê-lo em cenas de seus próprios filmes. Em Pulp Fiction (1994), ele vive o pacato cidadão americano Jimmie Dimmick, que ajuda amigos a omitirem, dentro da própria casa, o corpo de um homem recém-assassinado. O filme lhe rendeu sete indicações ao Oscar. Ao todo, Tarantino dirigiu dez filmes, assinou o roteiro em treze e atuou em dezesseis – incluindo os seus. Entre suas obras premiadas está Django Livre (2012), vencedor de melhor roteiro original, com indicação de melhor filme, fotografia e edição de som na última edição do Oscar. Em duas décadas de carreira como diretor, ele soma 21 indicações ao prêmio máximo do cinema mundial.

A obra de Tarantino também está marcada por polêmicas não só pela ousadia submundana da sua estética sangrenta e não-linearidade, mas também pelo posicionamento em alguns temas, além das referências a diversos estilos que ele transforma numa miscelânea audiovisual. Com isso, já foi acusado de plagiador, reacionário e até mesmo racista. Seguro e cinquentão, Tarantino se defende apenas como um homem que está cansado de defender seus filmes, enquanto o público e a crítica aguarda ansiosamente o que está por vir da mente nada tradicional do diretor que abusa da selvageria pândega para compor sua arte.

Leia todas as matérias do caderno especial sobre Tarantino aqui. Fonte: Caderno Vida & Arte - Jornal O POVO. (24/03/2013)

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