quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Festival, pra quê te quero?

Faltam 60 dias para o Festival de Teatro de Fortaleza. Ainda dá tempo de martelar quais caminhos devem ser percorridos para termos um grande evento, mas que reverbere além do período em que acontece

Espetáculo do grupo 13º ato, que se apresentou na última edição do FTF:
desafios para o evento se consolidar nacionalmente

Daqui a dois meses, a capital cearense vai se deparar mais uma vez com o Festival de Teatro de Fortaleza (FTF). Em 2013, acontece a nona edição do evento. Na verdade, já deveríamos estar algumas edições à frente, entretanto, desde a sua criação, falhas foram deixando o evento de lado nas gestões de Antônio Cambraia, Juraci Magalhães e Luizianne Lins. Em 2010, um estopim: cerca de vinte grupos de teatro, encabeçaram a bem-humorada campanha “Luizianne Vá ao Teatro!”, cobrando prioridades teatrais para a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O manifesto contou também com performances na porta da Prefeitura.

Já na edição de 2012, o movimento Todo Teatro É Político, integrado pelos coletivos teatrais da Capital, se apoderou do espaço deixado pela então secretária de cultura Fátima Mesquita. Fruto de uma série de insatisfações, com pouca verba, mas muita gana de mudança, o movimento tentou sanar o histórico das carências de políticas públicas para a classe e a Cidade. Descentralização, formação e visibilidade do teatro essencialmente local foram prioridades. Certamente, tais bandeiras são imprescindíveis para consolidação da nossa cena, mas não dá para resolver todos os problemas do teatro cearense em um único evento.

Entre os altos e baixos, o festival fortalezense continua na peleja para se tornar um acontecimento importante para o País, assim como o Porto Alegre em Cena, o Festival de Teatro de Curitiba, o Cena Brasil Internacional, a Mostra Sesc Cariri de Culturas, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, dentre outros. Além do recorrente baixo orçamento da Prefeitura, que impede uma série de ações efetivas, talvez, o mais difícil para a atual secretaria seja conciliar os interesses que perpassam entre a classe teatral, a própria equipe da Secultfor, a gestão Roberto Cláudio e a população.

Construção coletiva

Este ano, o festival, a priori, vem sendo construído a partir do diálogo da secretaria com o movimento organizado de teatro. A programação deverá dar conta da relação entre o teatro e a cidade com apresentações em três regiões fora o perímetro Centro-Praia de Iracema. A seleção dos espetáculos será feita por Luíza Torres, da Secultfor, por um integrante sugerido pelo Fórum de Teatro e por um curador de fora. Os espetáculos participarão do evento via edital, mas há a possibilidade de grupos convidados.

A Secultfor informou na última semana que ainda não sabe quanto deverá investir - que não seja pouco, como de costume. Ainda assim, é preciso estar claro que verba não significa política pública. Um grande evento também não. Óbvio: bom seria muito recurso para que a Cidade pudesse se entranhar na intercessão dos nossos trabalhos com os de outros estados e outros países. Mas é preciso pensar o Festival de Teatro de Fortaleza bem além dos grandes espetáculos. Que possamos construí-lo conectado com a Cidade, contemplando ações que se consolidem ao longo do tempo, para além do evento.

Como? Aplicando medidas que reverberem no nosso grande gargalo: circulação local e nacional dos trabalhos cearenses, além do fomento às sedes de grupo e formação qualificada para a classe e comunidade em geral. Sim, devemos querer visibilidade para o teatro local não apenas em época de eventos desse porte e não há problema em lutar por isso. Hoje, o que há de fato é uma miríade de boas ideias e um diálogo coerente, mas pouca coisa está confirmada.

Um curador deverá participar e avaliar o evento nos seus pormenores. Esperamos então que ele consiga trabalhar dentro do eixo dialógico que vem sendo construído, interagindo de fato com as demandas e especificidades do fazer teatral de Fortaleza. O festival deve ser uma ferramenta que carregue consigo questões do passado e do presente para que a população seja conduzida a acolher o teatro cearense, que há tempos se esturrica para existir. Um movimento organizado sozinho não vai dar conta porque é dever governamental o investimento contínuo e lúcido em cultura. O Festival de Teatro de Fortaleza pode este ano ser enfim aquele tão esperado. Mas é preciso de mais recurso e sensibilidade para que as propostas construídas em diálogo, de fato, se concretizem nos próximos meses.

PRA NÃO PERDER

O espetáculo Prometemos Não Chorar, novo trabalho do Grupo Ás de Teatro, abre as portas para convidados soltarem a voz nos seus embalos mais bregas. Nesta sexta, 16, o ator Pedro Guimarães é o cantor da vez. Onde: Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1701 - Centro). Quando: Todas as sextas-feiras de agosto, às 20h. Informações: 34649347.

INSCRIÇÕES ABERTAS

O mais tradicional curso de iniciação teatral do Ceará está com inscrições abertas até 30 de agosto. O Curso Princípios Básicos de Teatro, do Theatro José de Alencar realiza as inscrições pessoalmente para maiores de 15 anos com documento de identidade com foto e taxa de R$30. As vagas são para a turma da manhã. Há isenção da taxa para alunos da rede pública com declaração atual da escola. Informações: 31012567.

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