quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cabeças que sabem blefar

Espetáculo do grupo 5 cabeças, apresentando na Mostra Sesc Cariri, blefa com a necessidade que o público tem de encontrar coerência na trama
Foto: Nívea Uchôa

Por Danilo Castro

O Teatro do Absurdo é uma boa ferramenta para justificar a vida. O cotidiano está carregado de ilogicidades que, quando avaliadas em profundidade, parecem fazer sentido – ou fazem e nós é que somos lógicos demais para poder compreender. No último dia 9, apresentou-se no Teatro Sesc Patativa do Assaré, em Juazeiro do Norte, a Cia. 5 Cabeças, de Belo Horizonte (MG). O espetáculo Cachorros não sabem blefar fez parte da programação da XV Mostra Sesc Cariri de Culturas, que encerra hoje, 13, no Sul do Ceará.

Numa atmosfera cheia de suspense, o trabalho conta a história de Caio (Ronaldo Jannotti), dono de um relógio que insiste em marcar o mesmo horário: 9 e 15. De supetão, cinco indivíduos que vivem em um “estado limite” - de muita tensão, vão surgindo na caixa cênica. É um susto atrás do outro. A obra se utiliza do inusitado para versar sobre incomunicabilidade, espera e intolerância. Confinados em redor de uma banheira, um sofá velho e um telefone, eles vão expondo seus dilemas existenciais – ou nem tanto, mas tão graves quanto.
Foto: Nívea Uchôa

Criado em 2011, o trabalho tem referências diretas ao Teatro do Absurdo – termo criado pelo crítico húngaro Martin Esslin para se referir a dramaturgias inusitadas, ilógicas, comuns em textos europeus das décadas de 1950 a 1960. Não dá pra não associar com Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre; ou com os textos de Samuel Beckett e Ionesco.

O jovem Byron O’Neill, autor e diretor do trabalho, não escreveu a obra de maneira tradicional, trazendo o texto pronto para os atores encenarem. Durante o processo de criação, sua função se assemelhou a de um “dramaturgista” – quando o texto é construído em processo a partir das inquietações de todos.

Foto: Nívea Uchôa
Talvez seja por isso que o grupo se mostra tão coeso, com extrema precisão de ações em um realismo cheio de vigor e inverossimilhança. Talvez por isso, eles blefam tão bem com a necessidade que o público tem de encontrar coerência na trama. O resultado é uma obra densa, mas, ao mesmo tempo, carregada de um humor bobamente ácido.

Saiba mais

Prêmio] A Cia. 5 Cabeças é formada por Byron O’Neill, Carol Oliveira, Luisa Rosa, Ronaldo Jannotti e Saulo Salomão. Criado em 2009, o grupo ganhou o prêmio de Melhor Texto Inédito Adulto pelo 9º Prêmio Usiminas/Sinparc, em 2011, com Cachorros não sabem blefar.

PRA NÃO PERDER

Estreia - Grupo Expressões Humanas]
O Grupo Expressões Humanas estreia novo espetáculo dia 21, às 20h, no Sesc Senac Iracema. A obra, intitulada Orlando, é baseada no livro homônimo de Virgínia Woolf. Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: (85) 3032 8711 ou www.grupoexpressoeshumanas.blogspot.com






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