sábado, 27 de setembro de 2014

Carlos Magno e Carlos Câmara: dois teatros para chamar de meus

Após revitalizar o Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, grupo Pavilhão da Magnólia revitaliza o Teatro Carlos Câmara para dar conta daquilo que as gestões públicas no Ceará não dão














Por Danilo Castro

Ele morreu em 1939. Após 35 anos, um teatro foi erguido em sua homenagem. 20 anos depois, o espaço fechou as portas numa lacuna que durou mais 20 anos. Em 2014, o grupo Pavilhão da Magnólia revitaliza o Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza, reescrevendo a história do teatro cearense para dar conta daquilo que as gestões públicas no estado não dão: consolidação efetiva de políticas culturais. 

Dinheiro não faz política pública. Dar vida a um espaço não é somente fazer uma reforma de 8,5 milhões às pressas com a desculpa de “Virada Cultural”, anunciada pela Secretaria de Cultura do Ceará (Secult-CE) após a série de manifestações do Movimento Arte e Resistência, em 2011. É preciso pensar em rede, em fluxos onde uma onda não termine antes que a outra comece.

As pastas de cultura não dão conta. Aí os artistas precisam arregaçar as mangas e se tornar gestores para ensinar o bê-á-bá de como se deve fazer. Entrou na roda o Pavilhão da Magnólia, grupo de teatro surgido em 2005 que carrega na bagagem a revitalização do T.U, ou melhor: Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, equipamento que estava abandonado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) desde meados dos anos 2000.

Em 2011, após ganharem um edital da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), o grupo ocupou o prédio e, desde então, vem dando uma nova cara para o lugar. Dois anos depois, o “boom” foi maior. Devido à pressão do grupo com a campanha “Te amamos reforma!” e à demanda inegável de pautas na cidade – que ainda carece de espaços para apresentação - houve uma pequena reforma no T.U, que trocou piso e cadeiras, além de nova pintura e ajustes na parte técnica.

E agora?

Depois do Carlos Magno, agora é a vez do Carlos Câmara embebedar-se com o calor e a animação do grupo, que tem feito bonito na hora de gerir políticas culturais independentes. É com afetividade que se constrói algo para além do seu tempo. Quem imaginaria, por exemplo, que o Passeio Público, conhecido por anos como “Praça das Prostitutas” seria o que é hoje? Revitalizar tem que significar, de fato, dar vida, movimentar, deixar a cidade ocupar e transformar o lugar, moldá-lo até que ele se torne a nossa cara, a cara do cidadão de Fortaleza.

Até março de 2015, o Teatro Carlos Câmara fica sob a responsabilidade do Pavilhão, que já selecionou via edital 93 espetáculos para compor a programação. E depois de março, o que acontece? Futuro incerto. Como a maioria das políticas culturais no Ceará. Mesmo com o orçamento anual permanente de R$ 980 mil para o teatro, segundo a Secult-CE (que repassou menos de 1/3 desse valor ao grupo), nada garante como esse dinheiro será aplicado após março. Agora é brigar pra que haja continuidade, para que a afetividade pelo espaço floresça entre nós e inviabilize a omissão do estado por décadas, como já aconteceu outra vez. 

Mais informações sobre a programação do Teatro Carlos Câmara, acesse o site do grupo Pavilhão da Magnólia.


Fotos que vão ficar para a memória do teatro cearense

Abaixo, os registros de Paula Yemanjá durante a reabertura do teatro, que aconteceu ontem (26/09) com o lançamento do programa "Centro em Cartaz", gerenciado pelo grupo Pavilhão da Magnólia.

A Farsa do Pão e Circo  - Grupo Teatro de Caretas
A beira de... - Silvia Moura
Lesados - Grupo Bagaceira de Teatro



Um comentário:

Silvianne Lima disse...

Obrigada Danilo e a todos os presentes ontem! estamos juntos e é assim que se faz política pública, gestão, teatro, arte! Revitalizar!