terça-feira, 4 de abril de 2017

Instrumento de Ver responde crítica em carta

Foto: João Saenger

Brasília, 15 de dezembro de 2016

Oi Danilo,

Primeiro queremos agradecer a sua presença no festival!

Sobre os espetáculos, vamos falar um pouquinho de cada um. O cabaré é um formato circense bem tradicional de espetáculo de variedades, bem recortado mesmo, geralmente costurado por um apresentador. Foi uma aposta nossa tentar dar unidade ao espetáculo, já que os números que participaram não dialogavam nada entre si. Fora os do Instrumento de Ver, todos os outros fizeram parte de um chamado aos artistas de Brasília e nos aventuramos a encontrar uma costura menos óbvia (a do apresentador), mas sem a pretensão de trabalhar com muita complexidade uma teatralidade, em tão pouco tempo de idealização. A facilidade desse formato é, justamente, ser um espaço para o número, essa construção em pequeno formato (5 a 20 minutos), tão comum no circo. 


Com certeza algumas costuras ficaram menos resolvidas na heterogeneidade das estéticas e propostas temáticas/coreográficas de cada número. Não foi estratégia não, foi experimento mesmo, retornos como o seu são ótimos para buscarmos possibilidades para os próximos! Até porque foi uma experiência muito rica trabalhar com artistas tão diversos, alguns iniciando, outros mais antigos, alguns que conhecíamos o trabalho e outros que só tivemos contato prévio a partir do vídeo  -  e com certeza vamos querer repetir!

Ficamos satisfeitos em saber que Porumtriz te tocou na verdade que apresenta. Com certeza potencializa o trabalho a figura da ex-atleta, agora artista. Queremos trocar mais contigo sobre as escolhas de ritmo, mídias, linha dramatúrgica… bora tomar um café 😉

O Meu Chapéu é o Céu, a concretude do tempo… que delícia ouvir isso. Esse espetáculo é nosso xodó e domingo, especialmente, foi um deleite apresentar. Com certeza ele é o que mais fala desse nosso tempo de grupo, achei muita sensibilidade sua ter percebido isso sem conhecer muito da nossa história. Foi nele que as nossas relações se firmaram, que o grupo amadureceu, que lavamos as roupas sujas e nos reconstruímos. Fez muito sentido pra mim o que você escreveu, não sei se no mesmo lugar que você queria tocar. 

Brigamos muito por esse Tempo. Brigamos como quem joga e não quer perder a partida. Se perder perdeu, mas jogamos outra pra ganhar, pra ganhar mesmo. Nosso tempo de grupo se confunde com nosso tempo como artistas. E super entendo quando você fala que não podemos deixar esse Tempo ir embora. Estamos só no primeiro tempo, e ele é fugidio.

Ficamos muito felizes com o retorno, é bem raro que uma crítica ao circo, espero que possamos contar com o seu olhar. Queremos continuar essa conversa!

Abraços coletivos!

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